Quarta-feira, 10 de Dezembro de 2014

Nótulas demográficas d'Além Sabor - 5: Freguesia de Candoso

Cumpre agora analisar os quadros demográficos registados em Candoso, entre 1864 e 2011, ou seja, sensivelmente nos últimos 150 anos. Olhando para o primeiro quadro, que mostra os números brutos dos residentes registados em cada censo, constatamos que Candoso possuía quase 300 habitantes em meados do século XIX, número que aumentou gradualmente para os 382 à entrada da última década desse século. 

 

candoso1.PNG

 Porém, também neste povoado, a crise financeira de 1891/92 provocou consequências e Candoso perdeu cerca de 20 habitantes nos 10 anos seguintes (fruto, provavelmente, da emigração para o Brasil, que ocorreu em massa um pouco por todo o país, nessa década).

A população manteve-se estável na década seguinte, para sofrer nova quebra nas década posterior. Em 1920, registaram-se em Candoso, cerca de 350 almas (a Gripe Espanhola, com certeza, desempenhou aqui também, um papel). Não obstante, Candoso registou nos 10 anos seguintes um assinalável crescimento da população residente, com mais 61 residentes em 1930, número que aumentou para o máximo histórico de 427 habitantes em 1940.

candoso2.PNG

 

A partir daí, a catástrofe demográfica que se abateu no interior (besta negra que temos sempre vindo a denunciar), começou em Candoso, duas décadas mais cedo que na generalidade do território. É certo que nos primeiros vinte anos, o decréscimo foi pouco acentuado, mas nos censos de 1970, já se cifrava a população residente nos 370 habitantes. 

E se, em muitas outras povoações, a mudança de regime, conjugada com a entrada na CEE (logo, traduzindo-se em investimentos em infra-estruturas nas aldeias do interior, que outrora eram inexistentes), trouxe um abrandamento (ou recuo, em casos raros), dos números da queda demográfica, verificamos que em Candoso, tal não ocorreu. Aliás, este decréscimo acentuou-se com Candoso a registar perdas de cerca de 20% da população em cada um dos três últimos censos, como se vê no segundo quadro.

Assim, vertiginosamente, a população caiu dos 370 habitantes em 1970, para os 334 em 1981, daí para os 261 em 1991, os 207 em 2001 e os 158 em 2011. Ou seja, nos últimos quarenta anos, Candoso perdeu bem acima de metade da população. É a catástrofe demográfica à frente dos nosso olhos.

 

 

Publicado por Ilídio Monteiro Alves às 20:10

Regressar ao Topo | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Segunda-feira, 20 de Outubro de 2014

A Sabedoria Popular Sobre o Mês de Outubro


  • Com a vinha em Outubro, come a cabra, engorda o boi e ganha o dono.

  • Em Outubro centeio ruivo.

  • Em Outubro não fies só lã; recolhe teu milho e feijão, senão de Inverno tens a tua barriga em vão.

  • Em Outubro o fogo ao rubro.

  • Em Outubro o lume já é amigo.

  • Em Outubro ou secam as fontes, ou passam os rios por cima das pontes.

  • Em Outubro sê prudente: guarda pão, guarda semente.

  • Em Outubro, o fogo ao rubro.

  • Em Outubro, paga tudo.

  • Logo que Outubro venha, procura a lenha.

  • Outubro meio chuvoso, torna o lavrador venturoso.

  • Outubro quente traz o diabo no ventre.

  • Outubro suão, negaças de Verão.

  • Quando Outubro for erveiro, Guarda para Março o palheiro.

  • Se em Outubro te sentires gelado, lembra-te do gado.

  • Em Outubro sê prudente; guarda pão, guarda semente.

  • Em Outubro semeia e cria, terás alegria.

  • Em Outubro, por S. Simão, favas no chão.

  • Em Outubro, por S. Simão; semear, sim; navegar, não.

  • Outubro chuvoso torna o lavrador venturoso.

  • Outubro erveiro, guarda para Março o palheiro.

  • Outubro nublado, Janeiro molhado.

  • Outubro pega tudo.

  • Outubro quente traz o Diabo no ventre.

  • Outubro secão, negaças de verão.

  • Outubro sisudo, recolhe tudo.

  • Outubro vaca para o palheiro e porco para o outeiro.

  • Quando Outubro for erveiro, guarda para Março o Palheiro.

  • Quem planta no Outono leva um ano de abono.

  • Vindima em Outubro que S. Martinho te dirá.



Capela de S. Sebastião de Vilas Boas, na freguesia de Vilas Boas, concelho de Vila Flor.

 
Publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 01:00

Regressar ao Topo | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Segunda-feira, 13 de Outubro de 2014

Dérbi em Vila Flor

Este blogue não tem por hábito conter publicações sobre futebol, não por qualquer preconceito elitista contra a modalidade por parte dos seus autores (antes pelo contrário), mas, talvez, porque preferimos dar ênfase a outras áreas da cultura, história e etnografria de Vila Flor, uma vez que o desporto já tem voz em várias publicações.

Contudo, o evento desportivo que ocorreu ontem no concelho de Vila Flor encerrou em si uma enorme importância, por várias razões, mas primeiramente, porque se tratou de um dérbi (jogo entre equipas do mesmo concelho), e do primeiro dérbi em inúmeros anos.

Falo, com certeza, da partida de futebol entre o GD Santa Comba da Vilariça e o Vila Flor SC, que inaugurou o Campeonato Distrital brigantino na presente época e sobre a qual muito há que contar. Comecemos pelo início.

dIMG_20141012_154358.jpg

 

O jogo estava marcado para este Domingo, dia 12, às 15 horas de um tarde núbia, mas felizmente sem chuva, no Campo D. Lucinda de Oliveira, em Santa Comba. Aqui neste aspecto poderia deixar desde já um reparo, que quantifica tão-só a opinião deste escriba, não vinculando esta publicação, nem pretendendo sobrepor-se a outras opiniões, mais ou menos pertinentes: o jogo, creio, deveria ter sido disputado no Estádio Municipal, no Complexo Desportivo do Peneireiro, conquanto municipal que é serve todos os clubes do concelho e não apenas o Vila Flor SC. Bem sei que o factor casa desempenha, amiúde e nem que seja psicologicamente, um papel num jogo de futebol, mas não posso deixar de apontar que, infelizmente, o referido Campo D. Lucinda de Oliveira não apresenta todas as condições para a prática desportiva (o campo é pelado e menos seguro para os atletas), mas acima de tudo, não apresenta quaisquer condições para o público, não restando outra alternativa senão assistir de fora, através do gradeamento (que dificultou e muito o registo fotográfico do evento), à mercê das intempéries, e caoticamente um pouco por toda a parte: uns em cima de blocos de tijolos precariamente amontoados, outros em cima de caixas de electricidade, enfim, como bem dava na gana dos espectadores.

cIMG_20141012_154350.jpg

 

O caso torna-se mais evidente, quando comparado com as condições excelentes que o Estádio Municipal dispõe (lugares sentados e cobertos, relvado, balneários modernos, etc), equipamento que, sendo camarário foi construído com a ajuda de todos os vila-florenses e é mantido com a ajuda de todos os vila-florenses. Ademais, sendo um jogo único, que opunha as duas equipas do concelho, despertou, naturalmente, a curiosidade de muitos, pelo que se registou uma afluência significativa de público (entre os quais o próprio Presidente da Câmara, certamente com o coração dividido), ao qual poderiam ter sido oferecidas outras condições mais cómodas e seguras.

aIMG_20141012_161139.jpg

 

Mas passemos ao jogo em concreto. O encontro foi sempre bem disputado (embora nem sempre bem jogado),  começou a um ritmo elevado, com ambos conjuntos a demonstrarem vontade de ganhar, tendo até o GD Santa Comba começado por cima, com muita raça, criando um ou dois lances de perigo. Aos poucos o Vila Flor SC foi equilibrando a partida e ainda na primeira parte passou a dominar o encontro, tendo conseguido um importante golo nos minutos finais da primeira parte, com remate cruzado no flanco esquerdo a concluir um bom cruzamento da direita.

aIMG_20141012_152744.jpg

 

Se a primeira parte concluiu com o 0-1, a segunda metade praticamente começou com o 0-2 para o Vila Flor SC, ocorrido num lance confuso, que acabou por redundar em auto-golo do Guarda-Redes do GD Santa Comba, mas por manifesta infelicidade, já que na disputa da bola, acabou por chocar com um colega de equipa e, caído no chão, teve o azar de o esférico que bater nas costas e se dirigir para a baliza. Um lance que contudo não apaga a boa exibição do Guardião do GD Santa Comba, que logrou várias boas intervenções e que, perto do fim do jogo, após um choque violento, mas não faltoso, com um adversário, optou por continuar a jogar, embora fosse notório que o fazia estando com dores e em muitas dificuldades.

 

bIMG_20141012_152810.jpg

 

A partir do segundo golo, a equipa local desanimou e não mais conseguiu pegar no jogo, tendo o Vila Flor SC dominado o resto do encontro, encontrando sempre a oposição do Guarda-Redes contrário, que acabou por não acusar a infelicidade do segundo golo. O jogo terminaria com o marcador cerrado em 0-2, favorável ao Vila Flor SC, que venceu assim o dérbi vila-florense, num encontro que foi sempre disputado com muita garra e de forma viril, mas correcta (pelo que houve apenas dois cartões amarelos para os forasteiros e um para os locais) e onde acabou por prevalecer a maior experiência dos visitantes.

Numa palavra, o que se passou ontem em Santa Comba da Vilariça, foi um hino ao futebol, um hino ao desporto e acima de tudo, um hino ao nosso concelho.

Publicado por Ilídio Monteiro Alves às 10:10

Regressar ao Topo | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Quarta-feira, 1 de Outubro de 2014

Modos de Linguarejar de Vila Flor LXXX

O PREGUIÇOSO NO FALAR TRANSMONTANO

 

Por: Jofre de Lima Monteiro Alves

 

    Mais uma recolha dos nomes populares do falar transmontano, desta feita de sinónimos de mandrião, preguiçoso e indolente. Não é, como se compreende, exaustiva, nem tão-pouco esgota o tema em si, pois é um mero apontamento para um posterior levantamento, quiçá.

 

    Apelamos aos leitores de Vila Flor, mas também das diversas zonas de Trás-os-Montes, para enviarem a sua contribuição de molde a enriquecer este vocabulário, dentro do espírito de recolha linguística e vocabular da maneira do falar tradicional trasmontano, sem qualquer traço de obscenidade.

 

    A anotação das localidades apontadas para cada verbete é meramente indicativa duma proximidade geográfica e, de modo algum, não significa que a mesma expressão não seja usada noutros concelhos e lugares. Eis os vocábulos em questão:

banabóia (Mondim de Basto);

bebauga (Vila Flor);

bèbáuga;

berceiro (Mogadouro);

biganau (Freixo de Espada à Cinta);

bostoiro;

calaceiro (Freixo de Espada à Cinta e Vila Flor);

calão (Freixo de Espada à Cinta e Vila Flor);

canastrão (Freixo de Espada à Cinta);

carga d'ossos (Torre de Moncorvo e Vila Flor);

chóquinha;

choquinhas (Barroso);

colga (Freixo de Espada à Cinta);

lacoeiro (Torre de Moncorvo e Vila Flor);

langão (Freixo de Espada à Cinta e Vila Flor);

langueirão (Freixo de Espada à Cinta, Mogadouro e Vila Flor);

langueiras (Torre de Moncorvo e Vila Flor);

langueiro (Vila Flor);

lardoeiro (Vila Flor e Vila Real);

lareiras (Mogadouro);

laroteiro (Torre de Moncorvo e Vila Flor);

larouteiro (Torre de Moncorvo);

laruto (Carrazeda de Ansiães);

lhagalé (Vila Flor);

lombão (Vila Real);

lombeira;

lombeirão;

lombeiro (Vila Real);

maganão (Vila Flor);

maganau (Vila Flor);

maião (Vinhais);

majandro (Vila Real);

majangra (Santa Marta de Penaguião);

malandro (Freixo de Espada à Cinta e Vila Flor);

mamoto (Vila Flor, Vila Real e Vinhais);

mandicante (Vila Flor e Vinhais);

mandileiro (Vila Flor e Vila Real);

manganão (Barroso);

mangorrão (Torre de Moncorvo);

manguela (Freixo de Espada à Cinta e Vila Flor);

marabelho;

marangoleiro (Freixo de Espada à Cinta e Vila Flor);

marangolheiro (Vinhais);

marangolice (Freixo de Espada à Cinta);

marralheiro (Vila Flor e Vila Real);

mazorreiro (Chaves);

mendicante (Vila Flor e Vila Real);

mogengo;

mogueiro (Freixo de Espada à Cinta);

moina (Freixo de Espada à Cinta, Sabrosa e Vila Flor);

móina;

moinante (Torre de Moncorvo e Vila Flor);

mojinga (Vinhais);

molangueirão;

molangueiro (Chaves);

molanqueiro;

mondongueiro;

mondrongueiro;

mondronguice;

monso (Freixo de Espada à Cinta e Mogadouro);

morangueiro (Bragança);

morcanho (Vila Pouca de Aguiar);

morcão (Peso da Régua e Vila Real);

morganho;

morrinhão;

morrinhoso (Freixo de Espada à Cinta);

moscança (Bragança);

mulagem (Vila Flor);

mulaige (Vila Flor);

mumbrum (Freixo de Espada à Cinta);

murrinhão (Bragança);

noninha (Bragança);

pangaio (Vila Flor e Vila Real);

peleiroso (Barroso);

perguiceiro (Vila Flor);

poldrão (Vila Flor);

poltrão (Freixo de Espada à Cinta);

porcho (Freixo de Espada à Cinta);

preguiceiro (Freixo de Espada à Cinta);

sapoila (Torre de Moncorvo e Vila Flor);

sapoula (Torre de Moncorvo e Vila Flor);

songa-monga (Vila Flor);

zorrão (Vila Real). 

Publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 01:01

Regressar ao Topo | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Segunda-feira, 22 de Setembro de 2014

Nótulas demográficas d'Além Sabor - 4: Freguesia de Benlhevai

Nesta nova página desde série de crónicas procedamos à análise dos dados referentes a Benlhevai, freguesia do norte do concelho de Vila Flor. Há 150 anos a população da dita freguesia cifrava-se em 343 moradores, número que no recenseamento seguinte diminuiu para 309 (quebra de 10%), para, todavia, nos 12 anos seguintes se registar um aumento espantoso de 40%, passando o número de residentes a fixar-se em 432 habitantes.

 

Quadro que regista a variação percentual de freguesia de Benlhevai ao longo dos tempos.

 

Contudo, os efeitos da falência do Estado de 1892 fizeram-se também sentir nesta aldeia, que perdeu cerca de 90 habitantes em dez anos, e passou para um número de residentes similar ao primeiro registo. Este número manteve-se relativamente estável nas duas décadas seguintes, sofrendo uma ligeira quebra no registo de 1930, que foi prontamente recuperada na década seguinte. Os anos 40 revelaram-se muito positivos para Benlhevai, tendo a população residente aumentado em 35%, passando de 373 pessoas para 507!

 

Porém, a catástrofe demográfica dos anos 60 também se abateu em Benlhevai e esta povoação perdeu em duas décadas 232 pessoas(!!!) passando a contar com apenas 275 habitantes em 1960. De realçar que, em Benlhevai a esta crise demográfica já era bem evidente na década de 50 (ao passo que na maior parte das aldeias apenas nos anos 60 o demónio da desertificação laborou sem escolhos) período onde desapareceram mais de 80 pessoas.

 

Entre 1981 e 2001 os resultados dos censos forem sempre negativos, perdendo-se gente a cada recenseamento, tendo-se apurado, na entrada do terceiro milénio, apenas 214 habitantes. Contudo, a última contagem da população revelou um aumento de 20 pessoas, o que é algo de único em todo o concelho, pois todas as freguesias perderam habitantes, umas mais, outras menos. Benlhevai, talvez pela presença da poderosa indústria de cogumelos, tornou-se assim um exemplo a seguir, uma excepção em todo o concelho, quiçá, em todo o nordeste trasmontano.

 

 

Quadro que regista o número de habitantes em bruto em Benlhevai, em cada recenseamento.

 

Publicado por Ilídio Monteiro Alves às 10:00

Regressar ao Topo | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Segunda-feira, 15 de Setembro de 2014

CANTIGAS POPULARES DE TRÁS-OS-MONTES XXXIII

 DORME, DORME, MEU MENINO

 

Drome, drome, meu menino

Qu'a tua mãe logo bem;

Foi labar os teus paninhos

À fontinha de Belém.

 

O meu menino é d'oiro

D'oiro é o meu menino;

Hei-de intregá-lo ós anjos

P'ra medrar, qu'é pecanino.

 

Quem tem meninos piquenos

Sempre tem que lhes cantar;

Cantas bezes as mães cantam

Cum buntade de chorar!

 

Nossa Senhora lababa

E S. José istendia;

E o menino choraba

Cum o frio que fazia!

 

Imbana, José, imbana,

Cum a mão, nanja c'o pé;

Qu'o menino que imbalas

É Jasus de Nazaré!

 

Drome, drome, meu nino

Ca mãezinha logo bem;

Os anjos 'stão cantando

Nossa Senhora tamém!

Publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 05:00

Regressar ao Topo | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Segunda-feira, 1 de Setembro de 2014

AMADIS VASQUES DE SÃO PAYO

Uma Figura Ignorada da História de Vila Flor

 

Por: Jofre de Lima Monteiro Alves

 

    Amadis Vasques de São Payo ou Amadis Vaz de Sampayo ou Amador Vaz de Sampayo[1], filho terciogénito varão de Vasco Pires de São Payo[2], 4.º Senhor da Honra de Sampaio, e de sua mulher[3], cujo nome se ignora, nasceu em Vila Flor, Comarca de Trás-os-Montes, cerca de 1395.

 

ÁRVORE DE COSTADOS DE AMADIS VASQUES DE SÃO PAYO

 Próprio

Pais 

 Avós

Amadis Vasques de São Payo

 

N. Vila Flor 1395

Vasco Pires de São Payo

N. 1340

Pedro Anes do Souto

D. Francisca Pais de São Payo

 

 

 

 

    Foi pajem de Fernão Vaz de São Payo, seu irmão primogénito e 2.º Senhor de Vila Flor (1405); fidalgo; proprietário; despenseiro da Casa do Infante Dom Duarte, com o encargo das rações e moradias[4] (1425 - 1433); despenseiro da Casa d’El-Rei Dom Duarte (1433 - 1438); carta de quitação passada a Gonçalo Anes, Almoxarife da Guarda, «de diversas cousas, e entre elas» por ter dado «oiteenta e duas mill e seixçentas e trynta e oyto lybras e mea deu e entregou a Amadis Vaasquez nosso despenseiro que lhe mandamos entregar para despesa de seu ofiçio e assy hé» (1434)[5]; cavaleiro da Casa Real (1436); «Amadjs Uaasquez» participou na Armada da malograda tentativa de conquista de Tânger, em Marrocos (Agosto e Setembro de 1437)[6]; «Amadís Vasques, Despenseiro d'ElRey, morador em a cidade de Lisboa», atesta que «a elle lhe deraõ humas cesões, taõ terriveis, que a febre de cada huma lhe durava dezoito horas, ou mais», de maneira «que esteve ás portas da morte, e ja desconfiado dos Medicos, que o curavaõ», foi colocar «terra da sepultura do Santo Condestabre ao pescoço» e logo recebeu saúde e nunca mais teve sezões por milagre do Santo Condestável[7] (1438); despenseiro d’El-Rei Dom Afonso V (1438 - 1440); nomeado Juiz Dizimeiro da Alfândega da Cidade de Lisboa, com o fim de dizimar os panos e outras mercadorias que viessem à mesma Alfândega, em substituição de João Fernandes, que fora aposentado (20 de Abril de 1439)[8]; Juiz Dizimeiro da Alfândega da Cidade de Lisboa (1439 - 1474); carta régia pela qual lhe foi concedida licença para fazer treslado da quitação de despenseiro do Rei (23 de Julho de 1440)[9]; os procuradores do concelho de Lisboa apresentam queixa nas Cortes de Lisboa contra Amadis Vasques, pois o Regente Dom Pedro «lhe fez mercee do uosso sello que soya estar nos Comtos e creemos que nossa temçom nom foy fazer graça por agrauar o poboo E hora sobre este sello e tributo delle se fazem tamtas praticas, que a vos uem dello deseruiço e ao poobo gramde agrauo e padicimento porque per este sello e crecimento de sua Remda el poem todo seu saber e força, em acrecemtar sua jurdiçom»[10] (1446); o Infante Dom Pedro responde aos procuradores de Lisboa, dizendo que Amadis Vasques «he pessoa de que fiamos, e tal qve nom emtendemos q̃ a nenhũu fara em esto agrauo», mandando porém que o mesmo deve «poer o dicto sello em mãao de pessoa fiel que o saibha bem fazer com Reguardo de nosso seruiço e bem de nosso poboo»[11](1446); «Amadis Vaaz cavaleiro de nossa cassa e Juiz de nossa alfandega dessa çidade de Lixbõa» apresentou «carta testemunhavel», na qual garantia que Álvaro de Salvaterra, morador em Lisboa, que «fora degradado pera Çepta por dous annos», ocasião em que embarcou para Lisboa «muito contra ssua vontade» antes de acabar o tempo de desterro, porquanto «nom acabara de todo o dito tempo do degredo», pois «sse temia de o prenderem», e tendo em vista a carta de «Amadis Uaasquez» o rei considera «por rellevado o dito tempo de tres meses que asy ficou por seruir» e manda «que o nom prendaaes nem mandees prender nem lhe façaaes outro nenhũu dessaguissado» ao dito Álvaro de Salvaterra (31 de Dezembro de 1446)[12]; participou na Batalha de Alfarrobeira nas hostes do Rei Dom Afonso V (20 de Maio de 1449); carta régia da tença de 5428 reais brancos a Amadis Vasques de São Payo e 2000 reais brancos a Margarida Afonso, sua mulher, que seriam pagos na Alfândega de Lisboa (18 de Abril de 1450)[13]; carta régia da tença anual de 5000 reais brancos, para efectivação dos estudos de seu filho Ruy de Sampayo (10 de Junho de 1450)[14]; carta régia da mercê da tença de 7000 reais brancos, «consijrando os mujtos e boõs seruiços» prestados (3 de Abril de 1451)[15]; carta régia que remete para Luís Gonçalves, veador da Fazenda do Rei na Cidade de Lisboa, Pedro Vaz de Melo, regedor da Casa do Cível, Paio Rodrigues, contador-mor da cidade de Lisboa, ao almoxarife, aos desembargadores e «a vos Amadis Vaz de Sam Payo, juiz da nossa alfandega»[16], o requerimento apresentado pelos mercadores ingleses «estantes n'esta cidade» de Lisboa, acerca «de alguns agravos que nos disseram que lhes foram feitos por alguns nossos officiaes e rendeiros», os quais entram nos barcos e «começam de catar e revolver as camaras e quanto acham. E sellam as arcas, sem seus donos ahi estarem presentes» e por vezes a mercadoria «tomam tudo por descaminho» e «se esto assim he, havemol-o por mui mal feito», ordenando o rei aos citados que «se faça como é» devido[17] (1 de Outubro de 1454); carta d'El-Rei Dom Afonso V de perdão a Fernão Delgado[18], escudeiro do Infante Dom Henrique, que tinha sido querelado por «Amadis Vaasquez, juiz da nossa alfamdegua desta çidade, que elle e ssua molher o casaram com hũua jrmãa de Tristam Jngres q̃ com elles veuya, e que despois do sseu rreçebimento fecto, viuerom e esteueram em ssua casa de cote, per espaaço de ssete ou oyto mezes», tendo depois sido demandado devido ao dote de casamento e a outras questões, «sseemdo a dicta querella dada em tall forma» pela qual o dito Fernão Delgado «fora preso em a prisam da dicta çidade e que o dicto Amadjs Vasquez» provara «que elle cassara com a dicta ssua mollher ante que os elles casassem», motivo pelo qual «fora degradado per nossa ssentença, por dous annos, pera a nossa çjdade de Cepta, aa quall fora leuado, e auja oyto meses que mantinha o degredo», razão pelo qual o rei considerava relevada e extinta a pena de degredo que ainda faltava cumprir «dos dictos dous annos por que foy degradado» para Ceuta (9 de Junho de 1456)[19]; carta de confirmação do ofício de Juiz Dizimeiro da Alfândega de Lisboa (3 de Junho de 1460)[20]; trelado da carta que «ora pasou per que ElRrey determinou e mandou que daquy en diante sse pagase dizima das Sentenças condenatorias que forem dadas per Amadis Vaz juiz dalfandegua da sua cidade de Lixboa e per os outros que peros tp̃os forem»[21], e sendo ouvido «Amadiz Vaaz de Sampaio, Cavaleiro, Juiz da dita Alfandegua», o qual alegou «que nom tinha ordenaçam, nem mandado, nem carta, per que se nom ouvesem de levar, salvo que fora sempre costume de sy, e seus antecesores, nom se levarem», determinou o rei que «se pague dizima» das «Sentenças defenetivas condenatorias, que se daquy em diamte derem per o dito Juiz, e per os outros, que per o tempo forem, e per seus Loguo-Tẽemtes»[22] (12 de Setembro de 1473); carta a Álvaro Fernandes de Montarroio, «Juiz que agora sois per nos da Alfandega de Lisboa», em substituição de Amadis Vasques de Sampayo (26 de Novembro de 1474)[23].

 

CARGOS, MERCÊS E HONRARIAS

Pajem

1405

Fidalgo

 

Despenseiro da Casa do Infante Dom Duarte

1425 - 1433

Despenseiro da Casa d’El-Rei Dom Duarte

1433 - 1438

Cavaleiro da Casa Real

1436

Participou na malograda tentativa de conquista de Tânger, Marrocos

1437

Despenseiro d’El-Rei Dom Afonso V

1438 - 1440

Juiz Dizimeiro da Alfândega da Cidade de Lisboa

1439 - 1474

Participou na Batalha de Alfarrobeira nas hostes do Rei Dom Afonso V

1449

Carta régia da tença de 5428 reais brancos a Amadis Vasques de São Payo e 2000 reais brancos a Margarida Afonso, sua mulher

1450

Carta régia da mercê da tença de 7000 reais brancos, «consijrando os mujtos e boõs seruiços» prestados

1451

 

    Casou com Margarida Afonso; com geração.

 

    Faleceu em Lisboa, provavelmente em 1474.

 

    Filhos de Amadis Vasques de São Payo e de sua mulher Margarida Afonso:

1 - RODRIGO DE SAMPAYO ou Ruy de Sampayo, nasceu em Lisboa cerca de 1420.

Pajem de Fernão Vaz de São Payo, seu tio paterno e 2.º Senhor de Vila Flor (1430); esteve em Marrocos ao serviço do Infante Dom Fernando, "o Infante Santo"[24] (1437); fidalgo; proprietário; guerreiro; carta régia da tença anual de 5000 reais brancos, para poder concretizar os seus estudos (10 de Junho de 1450)[25]; cavaleiro-fidalgo da Casa do Condestável Dom Pedro[26] (1455 - 1466); tomou parte no rebate a umas aldeias no julgado de Anjera (Novembro de 1459); combateu em Tânger, Marrocos, sob as odens de D. Fernando, 1.º Conde de Guimarães (Abril de 1461)[27]; esteve na Catalunha ao lado do Infante Dom Pedro de Portugal, Condestável de Portugal e Rei de Aragão, quando este foi proclamado monarca em Barcelona (1465 - 1466)[28]; lugar-tenente do Juiz Dizimeiro da Alfândega da Cidade de Lisboa (1469); funcionário da Casa do Príncipe Dom João, futuro Rei de Portugal (1470); carta do rei Dom Afonso V de mercê da tença anual de dez mil reais brancos (13 de Fevereiro de 1475)[29].

2 - D. GUIOMAR DE SÃO PAYO[30], nasceu em Lisboa cerca de 1422.

Fidalga; proprietária.

Casou com Pero de Albuquerque, "o Azeite"[31], ou Pedro de Albuquerque[32], filho de João Gonçalves Gomide e de D. Leonor de Albuquerque; com geração.



[1] Amador Vaz de Sampayo, segundo Alão de Moraes e Felgueiras Gayo.

[2] Jofre de Lima Monteiro Alves, Vasco Pires de São Payo: Um Grande Fidalgo de Vila Flor: http://vilaflor.blogs.sapo.pt/120909.html,

[3] Dizem que Vasco Pires de São Payo levou ao altar a D. Maria Pereira, filha de D. Álvaro Pereira, enquanto outros asseguram que casou com D. Isabel de Gouveia, filha de Vasco Fernandes de Gouveia, o que é menos credível, mas qualquer dos casamentos atribuídos são meras fantasias.

[4] António Borges Coelho, Largada das Naus: História de Portugal, volume III, Alfragide, 2011.

[5] Pedro de Azevedo, Documentos das Chancelarias Reais Anteriores a 1531 Relativos a Marrocos (1415-1450), tomo I, Lisboa, 1915, p. 29.

[6] Hugo Daniel Rocha Gomes da Silva Moreira, A Campanha Militar de Tânger (1433 - 1437), Porto, 2009, p. 39; Pedro de Azevedo, Documentos das Chancelarias Reais Anteriores a 1531 Relativos a Marrocos, tomo I, p. 159.

[7] Frei José Pereira de Santa Ana, Chronica dos Carmelitas da Antiga, e Regular Observancia Nestes Reynos de Portugal, Algarves, e Seus Dominios, tomo I, parte III, Lisboa, 1745, p. 549.

[8] ANTT, Chancelaria de Dom Afonso V, liv. 19, fl. 52.

[9] ANTT, Chancelaria de Dom Duarte, liv. 2, fl. 23.

[10] Humberto Baquero Moreno, A Batalha de Alfarrobeira: Antecedentes e Significado Histórico, volume II, Coimbra, 1980, pp. 945-946.

[11] ANTT, Livro II de Estremadura, fl. 18v.

[12] ANTT, Chancelaria de Dom Afonso V, liv. 5, fl. 7.

[13] ANTT, Chancelaria de Dom Afonso V, liv. 34, fl. 162.

[14] ANTT, Chancelaria de Dom Afonso V, liv. 11, fl. 156v.

[15] ANTT, Chancelaria de Dom Afonso V, liv. 11, fl. 26v.

[16] ANTT, Livro VI da Estremadura, fl. 141v.

[17] F. Salles Lencastre, Estudo Sobre as Portagens e as Alfandegas em Portugal (Seculos XII a XVI), Lisboa, 1891, pp. 43-45.

[18] ANTT, Chancelaria de Dom Afonso V, liv. 13, fl. 9.

[19] Comissão Executiva das Comemorações do V Centenário da Morte do Infante D. Henrique, Bibliografia Henriquina, volume I, Lisboa, 1960, p. 342.

[20] João Martins da Silva Marques, Descobrimentos Portugueses, Suplemento ao Volume I, Lisboa, 1944, p. 363.

[21] Universidade de Coimbra, Biblioteca Geral da Universidade, Cofre, n.º 21 (1531-1532), Colectivo, Livro Vermelho, fl. 53v.

[22] Livro Vermelho do Senhor Rey D. Affonso V, in José Corrêa da Serra, COLLECÇÃO DE LIVROS INEDITOS DE HISTORIA PORTUGUEZA, tomo III, n.º VIII, Lisboa, 1793, pp. 462-464.

[23] Helena Maria Matos Monteiro, A Chancelaria Régia e os Seus Oficiais (1464-1465): Catálogos Prosopográficos, Porto, 1997, p. 9.

[24] Gomes Eanes de Zurara, Chronica do Conde D. Duarte de Menezes, in COLLECÇÃO DE LIVROS INEDITOS DE HISTORIA PORTUGUEZA, tomo III, cap. CVII, Lisboa, 1793, p. 242.

[25] Humberto Baquero Moreno, Um Aspecto da Política Cultural de D. Afonso V: A Concessão de Bolsas de Estudo, in REVISTA DE CIÊNCIAS DO HOMEM, volume III, série A, Lourenço Marques, 1970, p. 30.

[26] Humberto Baquero Moreno, Os Portugueses na Catalunha no Reinado de Pedro o Condestável, in ESTUDOS EM HOMENAGEM AO PROFESSOR DOUTOR JOSÉ MARQUES, II volume, Porto, 2006, p. 187

[27] Abel dos Santos Cruz, A Nobreza Portuguesa em Marrocos no Século XV (1415-1464), Porto, 1995, p. 219.

[28]Jesus Ernesto Martinez Ferrando, Caballeros Portugueses en el Alzamiento de la Generalidad Catalana Contra Juan II, in HISPANIA, tomo XII, n.º XLVI, Madrid, 1952, pp. 111-115.

[29] ANTT, Chancelaria de Dom Afonso V, liv, 31, fl. 92-93.

[30] Walter de Gray Birch, The Commentaries of The Great Afonso Dalboquerque, Second Viceroy of India, volume IV, Londres, 1884, p. 225.

[31] Cristóvão Alão de Moraes, Pedatura Lusitana, volume IV, tomo 2.º, Braga, 1998, p. 292.

[32] Manuel Felgueiras Gayo, Nobiliário de Famílias de Portugal, VI volume, tomo XVIII, Braga, 1989, p. 675.

Temas:
Publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 01:00

Regressar ao Topo | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Quarta-feira, 20 de Agosto de 2014

D. EGAS MONIZ DE RIBADOURO, “o Aio” - III

Uma Grande Figura da História de Portugal

 

Terceira Parte

 

Por: Jofre de Lima Monteiro Alves

 

D. Egas Moniz de Ribadouro casou em primeiras núpcias com D. Mor[1] Pais da Silva ou D. Maior[2] Pais ou D. Doroteia[3] Pais da Silva, dama nobre e filha de Paio[4] Guterres da Silva.

 

Casou pela segunda vez, em 1110[5], com «meana» D. Teresa Afonso, nobre rica-dona, falecida em 20 de Junho de 1171[6], filha do conde D. Afonso das Astúrias.

 

Filhos de Egas Moniz e de sua primeira mulher:

1 – LOURENÇO VIEGAS, o Espadeiro, nasceu em 1105.

Rico-homem do século XII; proprietário; alferes-mor de Dom Afonso Henriques (1129); «Laurencius alferes» confirma a carta de doação do castelo de Soure à Ordem do Templo (18 de Março de 1129)[7]; «Lourencius alfereaz» confirma a carta de Couto de Carvoeiro (1 de Julho de 1129); «Laurencius Venegas» confirma a carta de Couto de Paredes de Ribadouro (20 de Setembro de 1131); Lourenço Viegas, e sua mulher D. Maria Gomes, doa a D. Paio Mendes, arcebispo de Braga, tudo o que o Infante Dom Afonso Henriques lhe tinha doado na vila de Villar Gaudioisi (1132); como «Laurencius Benegas coadjutor regis hujus rei» ou coadjutor dos negócios da cúria de Dom Afonso Henriques confirma uma doação ao Mosteiro de S. Romão de Neiva (Setembro de 1133); «Laurencius Venegas dominus in Nevia», tenente ou governador da Terra de Neiva (1135); participou na Batalha de Ourique, «onde foi Capitão da retaguarda» (1139); Senhor da Honra de Santa Eulália (1146); Senhor da Honra de Fonte Arcada (1146); senhor de parte da Honra de Argeriz (1146); tenente e governador de Lamego (1146 – 1162); participou na tomada de Santarém (1147); deu carta de foro à povoação de Paços, em Armamar (1152); confirma o foral de Sintra (1154); vende certos bens que houvera de seu pai no Couto de Argeriz ao Mosteiro de Salzedas (1155); confirma a doação régia do Rabaçal ao Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra (1160).

Faleceu durante uma lide com os mouros na fronteira de Évora, cerca de 1162.

Casou em 1131 com D. Maria Gomes de Celanova, filha do conde D. Gomes Nunes de Pombeiro e de D. Elvira Peres de Trava; sem geração.

Teve, contudo, um filho bastardo em «ũa barregã que houve nome Hortigueira, e fez em ela ũu fylho»[8].

2 – D. LEONOR VIEGAS[9]

Dizem que casou com D. Gonçalo Mendes da Maia, “o Lidador”.

Filhos de Egas Moniz e de sua segunda mulher D. Teresa Afonso:

3 – D. AFONSO VIEGAS, “o Moço Viegasou “Mozo Venegas”, nasceu em 1111.

Proprietário; rico-homem; tenente ou governador de Baião (1134 – 1141); tenente de Penaguião (1134 – 1144)[10]; confirma a carta de couto ao Mosteiro de Cucujães (7 de Julho de 1139); participou na Batalha de Ourique (Julho de 1139); Afonso Viegas doa a D. Ermígio Viegas a metade da vila agrária de Canelas, no «território lamacense», e diversos herdamentos na vizinhança de Alvarenga (1 de Setembro de 1139); «domnus Mozo» confirma a carta afonsina de couto de Provezende (1140); confirma a carta de Couto de Ansede (24 de Abril de 1141); Afonso Viegas e sua mulher D. Aldara Peres doam certos bens que possuíam em Canelas de Riba Paiva à Ordem do Templo (1143)[11]; Senhor da Honra de Alvarenga, em Arouca (1146); Senhor da Honra de Queimada (1146); Senhor da Honra de Figueira, em Lamego (1146); Senhor da Honra de Queimadela (1146); Senhor da Honra de Resende (1146); Senhor da Honra de Cresconhe (1146); Senhor da Honra de Alvelos, em Lamego (1146); Senhor do Couto de Lumiares, em Armamar (1146); Senhor do Couto de Mões, em Castro Daire (1146); Senhor do Couto de Moledo, em Castro Daire[12]; confirma a carta de doação dos direitos eclesiásticos de Santarém à Ordem do Templo (1147); tenente em Além-Douro e governador de Lamego (1147); participa no cerco e tomada de Lisboa, tendo confirmado o pacto entre o rei Dom Afonso Henriques e os cruzados (1147)[13]; tenente de Baião (1150 – 1170); tenente de Baião e Penaguião, «don Mozo qui tenet Bayam et Penaguyam» (1160); confirma a carta de doação dos direitos eclesiásticos de Alcanede ao Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra (Fevereiro de 1163).

Faleceu em 1170.

Casou em 1142 com D. Aldara Pires de Espinhel, filha de D. Pêro Gomes Espinhel e de D. Teresa Anes de Baião; com geração.

4 – D. DÓRDIA VIEGAS, nasceu em 1113.

Proprietária; rica-dona; «Dordia filia Egas Moniz et Tarasia Affonsi et uxor Gundisalvi Menendi», fez uma doação de dois casais em Vila Chã, um em Sanfins, quatro em Lalim e três casais em Moázeres ou Morrazeses, além de cem moios de pão e vinho, duas vestimentas de linho e uma estola de pano ao Mosteiro de Paço de Sousa (1145)[14]; Senhora das Honras de S. João de Pendilhe e de Moázeres (1146); Senhora do Couto de Tuías (1146); senhora de parte do Couto de Argeriz (1146).

Casou com D. Gonçalo Mendes de Sousa, filho de Mem Viegas de Sousa e de D. Teresa Fernandes de Marnel.

5 – D. MENDO VIEGAS, nasceu em 1115.

Proprietário; o Infante Dom Afonso Henriques doa-lhe a vila de Samodães (1130)[15].

Faleceu em 1137.

Com sucessão.

6 – D. PERO VIEGAS, nasceu em 1117.

Nobre do século XII; proprietário; fez uma doação ao Mosteiro de Paço de Sousa de bens que possuía em Coreixas, Curveira e Jugueiros (1141)[16].

7 – D. SOEIRO VIEGAS ou Suerius Veegas ou Suarius Egge ou Suarius Venegas, nasceu em 1119.

Rico-homem do século XII; Senhor da Honra de Vila Cova, em Vila Nova de Paiva (1146); Senhor da Honra de Fonte Arcada, em Moimenta da Beira (1146); senhor de parte do Couto de Argeriz (1146); proprietário em Lamego, Tarouca, Armamar, Britiande, Cambres e Vila Nova de Paiva; carta de arras a sua esposa D. Sancha Bermudes, pela qual lhe lega muitos bens que ela ficará possuindo no estado de viúva, os quais perderá se passar a segundas núpcias (1152); vende ao Mosteiro de Salzedas a parte que havia herdado de seu pai no Couto de Argeriz, por cem morabitinos (1155); membro da Cúria afonsina (1157); tenente e governador de Lamego (1164 – 1188); como «Suerius Veegas princeps Lameci et filius domne Tarasie» confirma a carta de renúncia episcopal sobre o Mosteiro de Salzedas (1164)[17]; confirma o foral de Santarém (Maio de 1179); confirma o foral de Lisboa (Maio de 1179); confirma o foral de Melgaço (Julho 1181); confirma o foral de Valdigem, que fora concedido por proposta sua (1182); vendeu ao Mosteiro de Salzedas algumas propriedades em Cambres, Lamego (1187); doa ao Mosteiro de S. João de Tarouca diversos haveres que tinha em Vila Cova (1187).

Faleceu cerca de 1189.

Casou em 1152 com D. Sancha Bermudes de Trava, filha do conde Bermudo Peres de Trava e da Infanta D. Urraca Henriques de Portugal; com geração.

8 – D. RODRIGO VIEGAS, nasceu em 1121.

Nobre do século XII; vende ao Mosteiro de Salzedas a sua parte no Couto de Argeriz (1155)[18]; membro da Cúria afonsina (1157); proprietário em Vila Cova.

Faleceu cerca de 1163.

Com sucessão.

9 – D. ERMÍGIO VIEGAS, nasceu em 1123.

Nobre do século XII; proprietário; senhor de parte da Honra de Argeriz (1146); Senhor da Honra de Roção (1146); vendeu diversos bens em Ucanha ao Mosteiro de Salzedas (1156)[19]; confirma uma carta de couto feita ao Mosteiro de S. Cristóvão de Lafões (1161).

Faleceu em 1164.

Com sucessão.

10 – D. ELVIRA VIEGAS, nasceu em 1125.

Proprietária; rica-dona; Senhora da Honra de Britiande (1146); Senhora da Honra de Canelas (1146); doou diversos bens e casais em Vila Nova ao Mosteiro de Salzedas, para que os monges tivessem um jantar esplêndido no aniversário da sua morte (1209)[20].

Faleceu em 1217.

Casou com D. Pedro Paes da Maia, o Alferes[21], filho de D. Paio Soares da Maia e de D. Chamoa Gomes de Pombeiro; com geração.

11 – D. URRACA VIEGAS, nasceu em 1127.

Proprietária; rica-dona; Senhora da Honra de Landim (1146); vendeu ao Mosteiro de Salzedas a sua parte na herança paterna no Couto de Argeriz (1160); carta do cardeal Jacinto de Bobone, legado apostólico para toda a Hispânia, pela qual foi apresentada como patrona e benfeitora do Mosteiro de Tuías (28 de Janeiro de 1173); vende os seus herdamentos em Concelo, no termo de Cinfães ao Mosteiro de Salzedas, por cem maravedis (1174)[22]; aia da Infanta Dona Mafalda (1182); fez a doação das casas que herdara de seu pai no castelo de Lamego ao Mosteiro de Salzedas (1193); fez uma doação de bens em Queimada e Queimadela ao Mosteiro de Salzedas, pela alma de seu filho Fernando Gonçalves (1195); fez uma doação de bens em S. Martinho de Mouros, em Fonseca, em Moumiz e em Ferreirós ao Mosteiro de Salzedas (1198); vende a Quintã de Paços de Cinfães, o casal de Joana e dois casais em Ventoselas, ao Mosteiro de Salzedas, por duzentos e oitenta maravedis (1199); doou a albergaria de Canavezes a Mem Pais e a sua mulher D. Ermesinda (1200); fez doação ao Mosteiro de Salzedas de diversos bens em S. Joaninho, no termo de Castro Daire, e dos dízimos da Igreja de Moledo, para ser familiar do dito mosteiro (1217).

Faleceu em 1218.

Casou em primeiras núpcias com D. Vasco Sanches de Barbosa, filho do conde Sancho Nunes de Celanova e de D. Teresa Mendes de Ribadouro[23].

Casou pela segunda vez com D. Gonçalo Rodrigues de Palmeira[24], filho de Rodrigo Forjaz de Trastâmara e de D. Urraca Rodrigues.



[1] Manuel Felgueiras Gayo, Nobiliário de Famílias de Portugal, IV volume, tomo XI, Braga, 1989, p. 169.

[2] A. de Almeida Fernandes, PAIS DA SILVA (D. Maior), in GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA, volume XIX, Lisboa, 1949, p. 997; embora duvidando que tenha casado com Egas Moniz.

[3] José Mattoso, A Nobreza Medieval Portuguesa, p. 193.

[4] Identificada por Almeida Fernandes como sendo Doroteia Pais, filha contudo de D. Paio Godins e de D. Gontinha Nunes.

[5] A. de Almeida Fernandes, António Sérgio, Hernâni Cidade, Pedro Batalha Reis e Afonso Zúquete, Dom Afonso Henriques (1110? – 1185) e a Sua Descendência, in NOBREZA DE PORTUGAL E DO BRASIL, volume I, Lisboa, 1960, p. 85.

[6] A. de Almeida Fernandes, TERESA (Meana D.), in GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA, volume XXXI, Lisboa, 1955, p. 357.

[7] A. de Almeida Fernandes, VIEGAS (D. Lourenço), in GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA, volume XXXV, Lisboa, 1957, p. 214.

[8] Livro de Linhagens do Conde D. Pedro, volume II/1, Lisboa, 1980, p. 405.

[9] De cuja existência duvidam alguns autores, devido à ausência de notícias documentais, ao nome Leonor não ser usual antes do século XIII e ao improvável casamento que lhe atribuem. Cf. GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA, vol. XXXV, Lisboa, 1957, p. 213.

[10] José Augusto de Sotto Mayor Pizarro, Linhagens Medievais Portuguesas: Genealogia e Estratégias (1279-1325), p. 461.

[11] ANTT, Livro dos Mestrados, fl. 108.

[12] José Mattoso, Identificação de Um País: Ensaio Sobre as Origens de Portugal 1096-1325, volume I, 1991, p. 170.

[13] A. de Almeida Fernandes, VIEGAS (D. Moço), in GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA, volume XXXV, Lisboa, 1957, p. 219.

[14] A. de Almeida Fernandes, VIEGAS (D. Dordia), in GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA, volume XXXV, Lisboa, 1957, p. 210.

[15] A. de Almeida Fernandes, VIEGAS (D. Mendo), in GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA, volume XXXV, Lisboa, 1957, p. 218.

[16] A. de Almeida Fernandes, VIEGAS (D. Pedro ou Pêro), in GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA, volume XXXV, Lisboa, 1957, p. 220.

[17] A. de Almeida Fernandes, VIEGAS (D. Soeiro), in GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA, volume XXXV, Lisboa, 1957, p. 221.

[18] A. de Almeida Fernandes, VIEGAS (D. Rodrigo), in GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA, volume XXXV, Lisboa, 1957, p. 221.

[19] A. de Almeida Fernandes, VIEGAS (D. Ermígio), in GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA, volume XXXV, Lisboa, 1957, p. 211.

[20] A. de Almeida Fernandes, VIEGAS (D. Elvira), in GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA, volume XXXV, Lisboa, 1957, p. 210.

[21] Livro de Linhagens do Conde D. Pedro, volume II/1, p. 188.

[22] A. de Almeida Fernandes, VIEGAS (D. Urraca), in GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA, volume XXXV, Lisboa, 1957, p. 223.

[23] Livro de Linhagens do Conde D. Pedro, volume II/1, p. 437.

[24] Francisco Carvalho Correia, O Mosteiro de Santo Tirso, de 978 a 1588: A Silhueta de Uma Entidade Projectada No Chão de Uma História Milenária, volume I, Compostela, 2008, p. 89.

Túmulo de D. Egas Moniz de Ribadouro no Mosteiro do Salvador de Paço de Sousa.
Publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 01:01

Regressar ao Topo | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Domingo, 10 de Agosto de 2014

D. EGAS MONIZ DE RIBADOURO, “o Aio” - II

Uma Grande Figura da História de Portugal

 

Segunda Parte

 

Por: Jofre de Lima Monteiro Alves

 

Mandou povoar e fazer em Britiande «hi quintã e morada e capela em que lhe cantavam missa»[1](1133); carta do infante Dom Afonso Henriques pela qual faz doação a Egas Moniz e sua mulher da vila rural ou herdade real de Tarouquela, em Cinfães (5 de Março de 1134)[2]; D. Egas Moniz e sua mulher D. Teresa Afonso compraram «muitas e diversas herdades», que depois doaram a Salzedas (1134); dapífero da Cúria Régia ou «dapifer curiae» (Dezembro de 1134); mordomo ou «maiordomus da casa de illo jnfante» (1135 – 1139); confirma a carta de foral de Seia (1136)[3]; deslocou-se a Paço de Sousa para sepultar seu filho D. Mendo Viegas e na ocasião fez diversas doações ao mosteiro em memória do prematuro falecido (1137)[4]; concedeu carta de foro aos povoadores de Setos, em Montemuro (1139)[5]; concedeu carta de aforamento à vila rural de Lama Redonda, na Honra de Tões, em Armamar (1139); concedeu carta de foro a Vila da Ponte ou Ucanha, em Tarouca; mandou erigir e povoar o povoado de Britiande, no termo de Lamego, a quem concedeu carta de foro; participa na Batalha de Ourique (Julho de 1139)[6]; mordomo da Cúria, mordomo-mor da Corte[7] ou Curiae Dapifer[8] (1139 – 1146); carta de Couto de Vila Menendi e Santa Maria de Estrela dada por D. Afonso Henriques, «Ego Alfonsus Portugalensium rex», e confirmada por D. Egas Moniz «Ego egas moniiz curie dapifer» (1140)[9]; participa na reconquista de Trancoso (1140); assiste ao lançamento da primeira pedra da igreja do Mosteiro de S. João de Tarouca (1140); ditou uma carta testamento, pelo qual legou muitos bens móveis e imoveis ao Mosteiro do Salvador de Paço de Sousa, deixando metade da sua fazenda à sua mulher D. Teresa Afonso e a outra metade aos filhos de ambos (14 de Abril de 1441)[10]; carta de venda de uma herdade em Moazares, feita por Soeiro Mendes e irmão Odório Mendes a D. Egas Moniz e sua mulher D. Teresa Afonso, pelo preço de 200 bragais (3 de Maio de 1141)[11]; «Egas Moniz cõ titulo de Dapifer» confirma a carta de foral aos moradores de Leiria e do direito eclesiástico, dada por Dom Afonso Henriques (Abril de 1142)[12]; D. Egas Moniz de Ribadouro, com consentimento de Dom Afonso Henriques, doou a Paio Moniz Cortês e sua mulher D. Ximena Pais a herdade de Lama Redonda, na freguesia de Tões, concelho de Armamar[13] (1143); fundador do Mosteiro de Salvador de Tuías, em Marco de Canavezes e na margem esquerda do rio Tâmega[14]; protector do Mosteiro do Salvador de Paço de Sousa, pois «fez huma larga Doação ao mesmo Mosteiro, não só de herdades, mas também de moveis» e roupa[15], tendo também deixado ao mesmo mosteiro 5 casais, todos honrados na freguesia de S. Tomé de Canas[16] (1145); mandou construir os seus paços com torre solarenga, junto ao Mosteiro do Salvador de Paço de Sousa; trinchante da Casa do Rei (1144 – 1145); fixa residência nos paços junto ao Mosteiro do Salvador de Paço de Sousa (1145); carta de doação do rei Dom Afonso Henriques «à Igreja de São Salvador em terra de Bragança», que foi firmada por «Egas Moniz Dapifer Curiae confirmat» (16 de Maio de 1145)[17]; fez a promessa de fundar uma igreja em louvor da «Virgẽ Maria Senhora nossa» se regressasse vivo e «liure das mãos del Rey de Castella», quando foi a Toledo, porém «pello discurso do tempo ouuesse algũa dilação no cumprimento do voto, succedeo hũ caso notavel», pois andado na Serra da Estrela a caçar javalis, enquanto aguardava «hũ porco mõtes», «vio vir contra si hũ temeroso Vrso», e quando lutava com a «féra tão metida em furia», naquele momento chegou outro urso «macho, que por andar com o cio» e logo «arremeteo a Egas Moniz cõ tal impetu», porém os dois ursos «supitamente cayrão mortos no chão», por acção de «hũa antiga & devota imagem da Virgẽ Maria senhora nosa» que estava ali numa cova e «lembrado Egas Moniz da proméssa que fizera antes de yr a Castella, & como a mãy de Deos o liurara entam das maõs de hum Rey indignado, & agora de duas féras monstruosas», logo quis cumprir a promessa e mandou construir o Mosteiro de Santa Maria da Estrela, o qual viria a ser ultimado por seu filho Lourenço Viegas (1145)[18].

 

Não passa muito tempo, quando o forte

Principe, em Guimarães está cercado,

De infinito poder, que desta sorte,

Foy refazerse o immigo magoado:

Mas com se offerecer aa dura morte,

O fiel Egas amo, foy liurado.

Que de outra arte podêra ser perdido,

Segundo estaua mal aperçebido.

 

Mas o leal vassallo conhecendo,

Que seu senhor não tinha resistencia,

Se vay ao Castelhano, prometendo,

Que ele faria darlhe obediencia.

Leuanta o inimigo o cerco horrendo,

Fiado na promessa, & consciencia

De Egas moniz mas não consente o peito

Do moço illustre, a outrem ser sogeito.

 

Chegado tinha o prazo prometido,

Em que o Rei Castelhano ja agoardaua,

Que o Principe a seu mando sometido,

Lhe desse obediencia que esperaua.

Vendo Egas, que ficaua sementido,

O que delle Castella não cuydaua,

Determina de dar a doçe vida,

A troco da palaura mal comprida.

 

E com seus filhos & molher se parte,

A aleuantar co elles a fiança,

Descalços, & despidos, de tal arte,

Que mais moue a piedade que a vingança.

Se pretendes Rei alto vingarte,

De minha temeraria confiança,

Dizia, eis aqui venho offerecido,

Ate pagar co’a vida o prometido[19].

 

Faleceu a 3 de Agosto de 1146[20]; foi sepultado na Capela de Santa Maria do Corporal do Mosteiro do Salvador de Paço de Sousa, e «na face da pedra do sepulcro estava esculpida de relevo a imagem do mesmo Egas Moniz posta a cavalo, com uma corda lançada ao pescoço, e com a seguinte inscrição: «HIC : REQVIESCIT : F(amu)L(u)S : DEI : EGAS : MONIZ : VIR : INCLITUS : ERA : MILLESIMA : (ce)NTESINA : 2XXXII(II)»[21] (Agosto de 1146); D. Teresa Afonso, viúva de D. Egas Moniz, fez uma doação ao Mosteiro de S. Salvador de Tuías, confirmada pelos filhos e netos de Egas Moniz (Janeiro de 1165)[22]; faleceu sua viúva D. Teresa Afonso, sendo depois sepultada na Igreja do Mosteiro de Santa Maria de Salzedas, no concelho de Tarouca, distrito de Viseu (20 de Junho de 1171); ou devido «a ignorância, sempre atrevida, demolio aquele edifício»[23] ou devido a ameaça de ruínas da Capela Corporal ou Capela dos Fregueses do Mosteiro de Paço de Sousa, o abade D. Martinho Golias[24] decidiu transferir o túmulo de D. Egas Moniz e seu filho D. Mendo Viegas para a Capela-Mor do Mosteiro (1605); quando se abriu o seu túmulo, descobriu-se um carneiro de cantaria os ossos de Egas Moniz caiados e desconjuntados, pelo qual se viu que ele era um homem de estatura descomunal (1605); frei Manuel das Neves mandou fazer obras na Capela-Mor do Mosteiro do Salvador de Paço de Sousa nas quais destruiu o sarcófago de Egas Moniz e de seu filho, pois «demolirão os dous monumentos, de cujo estrago ficou a Communidade sentidissima», sendo que a reconstrução «a rogos» dos frades foi feita «sem ordem, e com muitas quebras», alterações e mutilações (1714)[25]; frei Manuel de S. Tomaz, abade do Mosteiro de Paço de Sousa, mandou proceder à mudança das pedras tumulares e os ossos de Egas Moniz, por causa da demolição da Capela-Mor e «se mudou a pedra ou pedras, que reprezentavão a Jurnada que fez o dito Egas Moniz a Castella» (1784)[26]; os arquitectos Baltazar da Silva de Castro e Arnaldo Adães Bermudes e o dr. Pedro Vitorino, sob patrocínio da DGEMN, restauram o monumento sarcófago da Igreja do Mosteiro do Salvador de Paço de Sousa, no concelho de Penafiel, juntando num só os túmulos de D. Egas Moniz e seu filho D. Mendo Viegas (1929)[27].



[1] Ucanha, in GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA, volume XXXIII, p. 295.

[2] Abiah Elisabeth Reuter, Chancelarias Medievais Portuguesas, volume I, Coimbra, 1938, p. 77.

[3] Agostinho de Mendonça Falcão, Memoria Historica Sobre a Villa de Cea, in HISTORIA E MEMORIAS DA ACADEMIA REAL REAL DAS SCIENCIAS DE LISBOA, tomo VIII, parte II, Lisboa, 1823, p. 11, 12 e 28.

[4] Mário Jorge Barroca, Epigrafia Medieval Portuguesa (862-1422), volume I, Lisboa, 2000, p. 294.

[5] GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA, volume XXV, Lisboa, 1952, p. 669.

[6] Diogo Freitas do Amaral, D. Afonso Henriques: Biografia, Lisboa, 2000, p. 79.

[7] José Hermano Saraiva, História de Portugal, Mem Martins, 1993, p. 61.

[8] Frei Joaquim de Santa Rosa de Viterbo, Elucidario das Palavras, Termos, e Frases, tomo II, Lisboa, 1799, pp. 153-154.

[9] ANTT, Ordem de São Bento, Mosteiro de São Martinho de Tibães, mç. 1, n.º 6, cota PT/TT/MSMT/002/0001/6.

[10] A. de Almeida Fernandes, Portugal Primitivo Medievo, Arouca, 2001, pp. 22 e 23.

[11] ANTT, Ordem de Cister, Mosteiro de Santa Maria de Arouca, Antiga Colecção Especial, mç. 3, n.º 17.

[12] Frei António Brandão, Terceira Parte da Monarchia Lvsitana, pp. 135, 158v e 286v.

[13] Mário Jorge Barroca, Epigrafia Medieval Portuguesa (862-1422): Corpus Epigráfico Medieval Português, volume II, tomo 2, Lisboa, 2000, pp. 1252-1253.

[14] ANTT, Mosteiro do Salvador de Tuías: http://digitarq.arquivos.pt/details?id=4380640.

[15] Frei Joaquim de Santa Rosa de Viterbo, Elucidario, tomo II, pp. 24 e 344.

[16] Maria José M. C. Ferreira dos Santos, A Terra de Penafiel na Idade Média, vol. I, p. 123.

[17] Collecção dos Principaes Auctores da Historia Portugueza, tomo II, Lisboa, 1806, p. 184.

[18] Frei Bernardo de Brito, Primeyra Parte da Chronica de Cister Onde Se Contam as Covsas Principais Desta Religiam, Lisboa, 1602, pp. 310v-311v.

[19] Luís Vaz de Camões, Os Lusíadas, canto terceiro.

[20] Frei Baltazar dos Reis, Livro da Fundação do Mosteiro de Salzedas, Lisboa, 1934, p. 59; A. de Almeida Fernandes, Dom Egas Moniz de Ribadouro, Lisboa, 1946, p. 71.

[21] Mário Jorge Barroca, Epigrafia Medieval Portuguesa (862-1422), volume II, tomo 1, p. 214.

[22] Frei António Brandão, Terceira Parte da Monarchia Lvsitana, p. 159v.

[23] Frei António de Assunção Meireles, Memórias do Mosteiro de Paço de Sousa, 1942, p. 10.

[24] Frei Leão de São Tomás, Benedictina Lvsitana, tomo II, Coimbra, 1651, p. 275.

[25] António d’Almeida, Memoria Polemica Acerca da Verdade da Jornada de Egas Moniz a Toledo, in HISTORIA E MEMORIAS DA ACADEMIA REAL DAS SCIENCIAS DE LISBOA, tomo XI, parte I, Lisboa, 1831, p. 132.

[26] António d’Almeida, Memoria Polemica Acerca da Verdade da Jornada de Egas Moniz a Toledo, p. 132.

[27] Marques Abreu, A Igreja de Paço de Sousa: As Festas Comemorativas da Sua Restauração, in ILUSTRAÇÃO MODERNA, ano 4.º, n.º 36, Porto, 1929, pp. 429-434.

Túmulo de D. Egas Moniz de Ribadouro no Mosteiro do Salvador de Paço de Sousa. 

Publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 01:01

Regressar ao Topo | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Sexta-feira, 1 de Agosto de 2014

D. EGAS MONIZ DE RIBADOURO, “o Aio” - I

Uma Grande Figura da História de Portugal

 

Primeira Parte

 

Por: Jofre de Lima Monteiro Alves

 

D. EGAS MONIZ DE RIBADOURO, o Bem-Aventurado, ou o Aio, filho de D. Monio ou D. Múnio Ermiges de Ribadouro[1] e de D. Ouroana Nunes[2], nasceu cerca de 1073.

 

ÁRVORE DE COSTADOS DE D. EGAS MONIZ DE RIBADOURO, “O AIO”

Próprio

Pais

Avós

D. Egas Moniz de Ribadouro, “o Aio”

 

N. 1073

F. 1146

D. Múnio Ermiges de Ribadouro, “o Gasco”

D. Ermígio Viegas de Ribadouro, “o Gasco”

D. Unisco Paes

D. Ouroana Nunes

 

 

 

Nobre varão do século XII; político; guerreiro; rico-homem; «foi hum dos mais esforçados cavaleiros e poderoso do seo tempo»[3]; firma como testemunha da carta de foral dada pelo Conde Dom Henrique a Constantim de Panóias, no termo de Vila Real (1096)[4]; Ramiro Pinióniz transfere por escambo o paço da Quintã de Resende para a posse de D. Egas Moniz; participa na batalha do Vale de Arouca contra Echa ou Ecca Martins “Mouro” e na repressão contra a revolta da população árabe de Lamego, por ordem do conde Dom Henrique, onde «deu maiores mostras de seu esforço»[5] (1102); lidera a campanha na Serra da Estrela contra os sarracenos, pois «Egas Muniz buelto libre corrió felizmente la campana de la sierra de la Estrella», e estando «ella limpia de mouros, dió-se al recreo de la monteria de javalies, a que era aficionado com estremo»[6] (1102); recebe o encargo de povoar a Terra de Azurara da Beira, em Mangualde, em nome do conde Dom Henrique de Borgonha e da rainha D. Teresa (1102); Senhor de Britiande, junto a Lamego, por doação do conde Dom Henrique, como prémio dos serviços prestados (1102); Senhor da Quinta de Cresconhe, em Lamego (1102); D. Aurodona ou D. Ouroana e seus filhos Garcia, Egas, Ermígio, Mem, Doroteia e Gontina Moniz, doam um quarto da Igreja de Santo André de Souselo, em Cinfães, ao Mosteiro de S. João Baptista de Pendorada, em Marco de Canaveses (1104)[7]; membro da Cúria Regia, tendo nessa condição confirmado várias escrituras e documentos; testamento de mão comum de Egas Moniz e sua mulher D. Doroteia Pais pelo qual elegem a Capela dos Fregueses do Mosteiro do Salvador de Paço de Sousa como local de sepultura (1106); Egas Moniz e D. Doroteia Pais doam a Mónio Fernandes bens por eles comprados em Fornelos (1108); foi encarregado da educação do infante Dom Afonso Henriques, filho do conde Dom Henrique e da rainha D. Teresa, o qual foi criado nas quintas de Cresconhe e Resende, na comarca de Lamego, região beiroa-duriense: «a quintãa que chamã Cresconhi foy de dõ Eguas Moniz e… criarõ hy Rey don Affoñ»[8] (1109); tenente ou governador da Terra de S. Martinho, no Julgado de Ponte de Lima (1110 - 1111)[9]; nomeado «príncipe colimbriense» pela rainha D. Teresa, com o mandado sobre o governo dos condados de Coimbra, Lamego, Viseu, Seia e Feira (1112 – 1120); o papa Pascoal II escreve à rainha D. Teresa e aos barões Pero Gonçalves, Egas Moniz e Egas Gosendes para solucionar diversas questões que dividiam os clérigos e a propósito da questão da união do bispado de Lamego ao do Porto ou ao de Coimbra, que opôs os bispos D. Hugo e D. Gonçalo Pais[10] (1113); governador de Lamego (1113 – 1132)[11]; uma fábula de mentalidade clerical conta que sendo o infante Dom Afonso Henriques muito aleijado das pernas, foi curado por um milagre e «debaixo do emparo da Bemauenturada Virgẽ Mãy de Deos Senhora Nossa» ou Virgem de Cárquere, no termo de Resende, pelas orações de Egas Moniz, “o Aio”, «por cuja revelação, & intercessaõ alcançou a saúde das pernas»[12] e «recebeo logo perfeita saúde» (1114); em atenção e «por amor de Egas Moniz e Mem Moniz e Ermígio Moniz», D. Hugo, bispo do Porto, renuncia ao seu direito episcopal de parada e jantar no Mosteiro do Salvador de Paço de Sousa (1116)[13]; tenente de Lamego (1120); a rainha D. Teresa doa a Egas Moniz e a D. Teresa Afonso a Igreja de S. Salvador de Tuías; governador da Terra de Neiva (1127)[14]; instiga a revolta da nobreza e do Infante Dom Afonso Henriques contra a influência de Fernão e Bermudo Peres de Trava no governo do Condado Portucalense e junto da rainha D. Teresa (1127); como «conde de Neiva» confirma a carta de couto de S. Vicente de Fragoso, no Julgado de Neiva, dada pelo Infante Dom Afonso Henriques (4 de Dezembro de 1127)[15]; tenente ou governador de Sanfins de Ribadouro (1127 – 1130)[16]; confirma a carta de foral a Constantim de Panóias (Maio de 1128); participa na Batalha de S. Mamede, junto ao castelo de Guimarães, «à testa das suas gentes de armas» ao lado do Infante Dom Afonso Henriques contra o conde Fernão Peres de Trava e D. Teresa (24 de Junho de 1128)[17]; participa nas campanhas para submeter o Sul do Douro à autoridade de Dom Afonso Henriques (1128); participa no torneiro ou bafordo da chamada Batalha de Valdevez ou da Veiga da Matança, no termo da freguesia de Santo André de Guilhadeses[18], entre os exércitos do Infante Dom Afonso Henriques e do rei Afonso VII da Galiza, Leão e Castela (1129)[19]; durante o cerco de Guimarães, pelo rei Afonso VII, Egas Moniz sai secretamente da vila sitiada, para se avistar em audiência particular com o monarca leonês[20] (1129); em consequência do cerco de Guimarães, foi negociado um acordo de entendimento, paz e vassalagem entre Dom Afonso Henriques e Afonso VII, ficando D. Egas Moniz como fiador da promessa de submissão (1129)[21]; Dom Afonso Henriques repulsa o acto de vassalagem e invade a Galiza (Abril de 1130); Egas Moniz, a esposa, filhos, demais família e os criados, vestidos de condenados e de baraço ao pescoço, apresentou-se na Corte do rei Afonso VII de Leão e Castela, pondo a sua vida nas mãos do monarca em penhor da promessa quebrada, o qual depois dum momento de furor em que quis matá-lo, «perdeu a sanha contra dom Egas Moniz e desquitou-o da menagem» e decidiu perdoar-lhe, fazendo-lhe «muitas mercês e assim o enviou para a sua terra»[22](Junho de 1130); segundo uma antiga lenda quando vinha cansadíssimo de Toledo passou pela localidade de Lisboinha, em Trás-os-Montes, tendo descansado à sombra dum grande e frondoso carvalho, por cuja memória desse facto a tal localidade passou-se a chamar Carvalho de Egas (Agosto de 1130); tenente de Parada do Paiva, em Armamar (1130 – 1139)[23]; abastado proprietário em Lamego, Sanfins, Cinfães, Aregos, Resende, S. Martinho de Mouros, Caria, Tarouca, Fonte Arcada, Armamar e Penafiel; Senhor da Honra de Resende e suas dependências, entre as quais Beirós, Chãos, Cima de Resende, Ciringos, Corvo, Curujeira, Felgueiras, Ferrós, Massas, Mariagrais, Mirão, Murganhos, Nadães, Novões, Paredes, Pimeirol, Quintã, Rendufe, Safões, Sais, Santo Emilião, Taboadelo, Tedões, Vila Garcia, Vinhais e Vinhós (1130)[24]; Senhor da Honra de Caria com as vilas anexas de Arcoselos, Caria de Jusã, Caria de Susã, Carregal, Lamosa, Lapa, Moimenta, Nacomba, Segões e Quintela; Senhor da Honra de Dalvares; Senhor da Honra de Ferreirim; Senhor da Honra de Lalim; Senhor da Honra de Magustim; Senhor da Honra de Mós; Senhor da Honra de Ribelas; Senhor da Honra de Várzea da Serra; Senhor da Honra de Vila Meã; Senhor da Honra de Vila Cova com as vilas anexas de Póvoa Nova, Póvoa Velha e Touro; Senhor da Honra de Mezio; Senhor da Honra de Vale do Conde; Senhor da Honra de Argeriz com as vilas anexas Cimbres, Formilo e Vila Chã; Senhor da Honra de Fonte Arcada, com as vilas rurais de Chosendo, Escurquela, Ferreirim, Fonte Arcada, Freixinho, Macieira e Vilar; Senhor da Honra de Baldigem; Senhor da Honra de Bigorne; Senhor da Honra de Britiande, a par de Lamego; Senhor da Honra da Figueira; Senhor da Honra de Melcões; Senhor da Honra de Mesquinhata; Senhor da Honra de Pousada; Senhor da Honra de Portelo; Senhor da Honra da Queimada; Senhor da Honra da Queimadela; Senhor da Honra de Quintião; Senhor da Honra de Telhado; Senhor da Honra de Ribavelida; Senhor da Honra de Fontelo; Senhor da Honra de Tões; Senhor das Honras de Louredo, Moazáres e Canelas[25]; senhor de inúmeras terras por mercê do rei Dom Afonso Henriques «em contemplação dos muitos serviços e merecimentos», entre as quais as seguintes localidades: Barreiros, Casconha, Fontelas, Paços, Roupeiro, Travanca (todas na terra de Sanfins), Belude, Cidadelha, Cinfães, Contensa, Louredo, Santa Ovaia, Eulália, Vila Viçosa (todas na terra de Cinfães), Freigil, Lamas, Louredo, Miomães, Nogueirô, Ovadas, Panchorrinha, Roças, Telhado (todas na terra de Aregos), Barrô, Campo Benfeito, Cardoso, Córdova, Dornas, Ermegilde, Fazamões, Gosende, Gosendinho, Lamas, Moumiz, Paredes, Paredinhas, Pexininho, Porcas, Português, Roção, S. Martinho de Mouros, Temonde, Vila Verde Vilar de Baixo, Vilarinho (todas na terra de S. Martinho de Mouros); proprietário de extensas propriedades em Cinfães, na Serra de Montemuro, no concelho de Resende, em Lamego, no concelho de Armamar, no concelho de Castro Daire, em Vila Nova de Paiva, na Serra da Lapa, em Moimenta da Beira, em Sernancelhe e no vale do Távora[26]; Senhor do Padroado da Igreja de S. Tomé de Canas, em Penafiel; Senhor do Padroado da Igreja de Santa Maria de Barrô, em S. Martinho de Mouros; o infante Dom Henriques doou o Couto de Tuías e vizinhanças ao aio D. Egas Moniz e a D. Teresa Afonso, pelos serviços feitos, com o padroado da Igreja de S. Salvador[27] (1131).



[1] José Mattoso, Livro de Linhagens do Conde D. Pedro, volume II/1, Lisboa, 1980, p. 405.

[2] Manuel Abranches de Soveral, Os Ribadouro: Proposta de Reconstituição Genealógica: http://www.soveral.info/mas/Ribadouro%20-%20origens.htm.

[3] Manuel de Souza da Silva, Nobiliário das Gerações de Entre-Douro-e-Minho, I volume, Ponte de Lima, 2000, p. 304.

[4] Frei António Brandão, Terceira Parte da Monarchia Lvsitana Que Contem a Historia de Portugal, Lisboa, 1632, p. 51v.

[5] Frei António Brandão, Terceira Parte da Monarchia Lvsitana, p. 40v.

[6] Bernardo de Brito, Chronica de Cister, livro 5, cap. 10

[7] Armando de Almeida Fernandes, SOUSELO, in GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA, volume XXIX, Lisboa, 1954, p. 917; Manuel Abranches de Soveral, Os Ribadouro: Proposta de Reconstituição Genealógica.

[8] ANTT, Inquirições de D. Dinis, livro 4.º, fl. 23v.

[9] José Mattoso, Portugal Medieval: Novas Interpretações, Lisboa, 1985, p. 31.

[10] A. de Almeida Fernandes, MONIZ (Egas), in GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA, volume XVII, Lisboa, 1948, p. 624.

[11] José Mattoso, A Nobreza Medieval Portuguesa: A Família e o Poder, Lisboa, 1981, p. 192.

[12] Frei António Brandão, Terceira Parte da Monarchia Lvsitana, p. 74; Duarte Galvão, Crónica de El-Rei D. Afonso Henriques, Lisboa, 1995, pp. 15-17.

[13] Augusto Pinho Leal, Portugal Antigo e Moderno: Diccionario, volume VI, Lisboa, 1875, p. 388.

[14] Portugaliae Monumenta Historica: Inquisitiones, Lisboa, 1888, p. 318; José Mattoso, Portugal Medieval: Novas Interpretações, pp. 20-21.

[15] Alexandre Herculano, Historia de Portugal Desde o Começo da Monarchia Até o Fim do Reinado de Affonso III, tomo II, 8.ª edição, 1875, p. 265.

[16] A. de Almeida Fernandes, Guimarães, 24 de Junho de 1128, Guimarães, 1968, p. p. 64.

[17] A. de Almeida Fernandes, Dom Egas Moniz de Ribadouro, Lisboa, 1946, pp. 146-147.

[18] Padre Francisco de Santa Maria, Anno Historico, Diario Portuguez, Noticia Abreviada, tomo II, Lisboa, 1744, p. 272, que indica o ano de 1128.

[19] Uns dizem que o recontro ou bafordo se deu em 1128, 1129, 1139, 1140, 1141 ou, até, em 1143.

[20] Luís Filipe Lindley Cintra, Introdução – Primeira Parte, In CRÓNICA GERAL DE ESPANHA DE 1344, volume I, Lisboa, 1951, pp. CCCLXXXIX e CCCXC; Frei António Brandão, Terceira Parte da Monarchia Lvsitana, p. 96, que indica a data de 1129.

[21] Alexandre Herculano, Historia de Portugal, tomo II,, pp. 23, 261 e 262; que indica contudo a data de 1127.

[22] GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA, volume XVII, Lisboa, 1948, p. 627.

[23] Mário Jorge Barroca, Epigrafia Medieval Portuguesa (862-1422): Corpus Epigráfico Medieval Português, volume II, tomo 1, Lisboa, 2000, p. 218; Rico-Homem, in GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA, volume XXV, Lisboa, 1952, p. 669.

[24] Resende, in GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA, volume XXV, Lisboa, 1952, p. 226.

[25] Maria José Mendes da Costa Ferreira dos Santos, A Terra de Penafiel na Idade Média: Estratégias de Ocupação do Território (875-1308), volume I, Porto, 2004, p. 79.

[26] A. de Almeida Fernandes, Tarouca Monumental, Viseu, 1978, pp. 114-145.

[27] Tuías, in GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA, volume XXXIII, Lisboa, 1956, p. 167.

 

D. Egas Moniz de Ribadouro apresentando-se ao rei Afonso VII da Galiza, Leão e Castela. Azulejos de Jorge Colaço na Estação Central de S. Bento.

Publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 01:01

Regressar ao Topo | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Quinta-feira, 24 de Julho de 2014

Nótulas demográficas d'Além Sabor - 3: Freguesia de Assares

Hoje cumpre analisar os quadros de evolução demográfica da freguesia de Assares, desde 1864 até ao último recenseamento, o de 2011. Apresentemos, pois, o quadro que mostra a evolução do número de habitantes em cada década:





Em seguida, o quadro que transmite a evolução percentual da população, registada em cada censo:






Pois bem, e o que se nos apresenta à frente, analisando estas duas tabelas? Começando com uma população base de 120 habitantes em 1864, denotamos um impressionante aumento dessa população para os 174 elementos nos censos seguintes. Esse crescimento seria logo interrompido e uma década mais tarde havia menos 18 habitantes. Na entrada do novo século registou-se nova melhoria, com a cifra de habitantes a equiparar-se à registada duas décadas antes (176 residentes). É curioso observar que nesta povoação a falência do Estado de 1891/92 e a grave crise económica a ela associada não se transmitiu num decréscimo da população, como foi a tendência generalizada em quase todas as freguesias do concelhos, se não mesmo do país.


Logo na primeira década do século XX, Assares testemunha um crescimento notável da população, ganhando mais de 50 novos habitantes nesses dez anos, atingindo os 228 habitantes. No entanto, as duas décadas seguintes seriam devastadoras para a demografia de Assares, que recuou para os 166 habitantes em 1930. As crises e instabilidades da 1ª República, a Grande Guerra e, sobretudo, a Gripe Espanhola de 1918/19, justificam estes números.


O crescimento da população, a partir daí, foi lento, tendo apenas em 1960 a freguesia alcançado os números que registou em 1911. E depois dessa data, assistimos a uma assustadora variação negativa da população (comum a várias freguesias). A emigração em massa dos anos 60, fenómeno que todos a conhecemos, é melhor compreendida, na sua verdadeira dimensão, neste dado: em dez anos apenas Assares perdeu cerca de 100 habitantes (!!!), quase 50% da população. São estes, os cruéis números da emigração dos anos 60, hoje já um pouco obscurecida nas carregadas brumas da história, mas que continua a moldar, até ao presente a variação demográfica das aldeias do nosso  interior.


Assares, por seu turno, até pode ser considrada uma excepção, uma vez que nas décades seguintes registou um aumento, bastante assinalável, na sua população, o que contrasta com o panorama geral do concelho. Este padrão de aumento da população é raríssimo nas fregusias do interior trasmontano e em Vila Flor é apenas verificável nas freguesias do Vale da Vilariça (Assares, Lodões e Santa Comba), e não tenho certeza como o justificar (possívelmente com o advento dos retornados, ou até com o regresso de algumas pessoas que haviam emigrado na década anterior, aproveitando com o fim da ditadura). Seja como for, em duas decadas Assares passou dos 130 habitantes em 1971  aos 211 em 1991.


Contudo, os últimos dois registos de populção efectuados foram catastróficos e anularam esses ganhos. Assim em 2001 regressou-se aos 170 residentes de 1981, e em 2011 acercou-se do número de residentes de 1971. Ainda assim, podemos afirmar que, coimparativamente a outras freguesias do concelho, Assares é um caso de "sucesso", na medida em que ainda não regrediu (não anda longe, no entanto...) aos níveis demográficos de há 150 anos (quando tinha 120 habitantes), algo que em muitas freguesias (como se observará no futuro), já foi atingido, ou até foi ultrapassado.


O dado mais curioso da análise demográfica deste 150 anos em Assares é verificarmos que a evolução do número de habitantes se fez sempre com grande variações, ora positivas, ora negativas,  nunca seguindo  um úncio padrão durante muito tempo, quase que relatando uma luta constante entre o homem e a terra, com numas décadas o homem a sair por cima, para logo na décade seguinte ser derrotado pelas mundividências. Um relato da luta constante pela vida, que, como é típico do espírito de luta do nosso povo, se não puder ser feita na terra natal, há-de ser feita noutras paragens.

Publicado por Ilídio Monteiro Alves às 10:05

Regressar ao Topo | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Quarta-feira, 16 de Julho de 2014

Nótulas demográficas d'Além Sabor - 2: Freguesia de Vila Flor

Comecemos, pois, esta nova série de artigos, com a exposição e análise dos quadros demográficos referentes à freguesia sede do nosso concelho. A ordem a utilizar, seria a ordem alfabética (e vai ser, daqui para a frente), mas entendemos quebrar, por uma vez que seja, esse padrão, para falarmos em primeiro lugar, da evolução demográfica da sede de concelho, até porque é a que se apresenta com um cenário mais positivo entre todas as freguesias do concelho. Comecemos, portanto, com as boas notícias.

 

Este é o quadro que nos refere a evolução, ao longo dos últimos 150 anos, do número de habitantes que os sucessivos censos foram apurando na freguesia de Vila Flor (Vila Flor e Arco, portanto):

 

 

Apresentamos agora, o gráfico que mostra que tipo de variação (se positiva, se negativa) ocorreu na freguesia de censo para censo, e quanta percentagem a localidade perdeu ou ganhou entre cada recenseamento. (Este será o modelo a utilizar para todas as análises):
Procedamos, portanto, à análise destes dados. Constatamos que há 150 anos atrás, Vila Flor tinha perto de 1500 habitantes, cifra que até à última década do século XIX cresceu para os 2093 residentes (um aumento de de 34,5%, como podemos ver no segundo quadro). Este crescimento é, regra geral, comum ao país inteiro e coincide com um período de alguma prosperidade económica da nação, fruto do pós-regeneração que trouxe grandes avanços e alguma modernidade ao Reino português e que quebrou com a crise motivada por quase 50 anos de guerras, golpes de estado e instabilidades várias: desde as Guerras Napoleónicas, à Patuleia, passando pela perda do Brasil (que também envolveu uma mini-guerra) e pelas fratricidas guerras civis liberais. Só na segunda metade do século XIX, Portugal encontrou a paz, e com ela a estabilidade e o crescimento económico que justifica, pois, este crescimento demográfico generalizado e que também se verifica em Vila Flor.
Contudo, na última década desse século registamos uma perda de cerca de 400 habitantes, só na freguesia de Vila Flor!! Que justificará isso? A causa provável é a grande crise económica e financeira (em tudo similar à actual...) provocada pela falência do Estado em 1891/92 (também ela desencadeada por uma dívida externa insuportável...). Esta crise conduziu a uma emigração maciça para o Brasil (e com menor expressão, para os EUA).
As próximas décadas da demografia vilaflorense ficam marcadas pelo decréscimo, paulatino, do número de habitantes, até aos anos 20. Os efeitos da falência de 1892 prolongaram-se até ao fim da monarquia; a jovem República foi um antro de instabilidades; a Grande Guerra também levou a sua quota de homens para morrerem na Flandres e a gripe espanhola de 1918/19, causou fatalidades incontáveis entre a nossa população. Tudo isso levou a que a população vilaflorense, em 1920, se cifrasse em números similares aos de 1864. 
As três décadas seguintes foram, no entanto, de crescimento assinalável do número de habitantes, chegando Vila Flor aos anos 50 com cerca de 2200 habitantes. Porém, a estagnação do regime salazarista, aliada ao começo da Guerra Colonial, levou a que uma quebra notória se registasse e, 20 anos depois, havia menos cerca de 200 habitantes em Vila Flor.
Contudo a Vila (e ao arrepio, como veremos, das demais freguesias do concelho e de todo o interior em geral) conseguiu inverter este cenário com a chegada do regime democrático (que acabou com a Guerra e trouxe melhorias materiais importantíssimas) e registou um crescimento da população contínuo até ao fim do milénio, onde contava já com cerca de 2500 habitantes. Porém a tendência de decréscimo voltou, e em 2011, aquando do último recenseamento (e, portanto, antes presente da crise), já se registavam menos cerca de 250 pessoas a residir na sede de concelho. Os efeitos desta crise (que, todos sabemos, reacendeu fluxos emigratórios com números não praticados desde os anos 60) só serão grafados em 2021, mas tenho a certeza que, a esta altura, apenas 3 anos volvidos desde os censos, Vila Flor regista um decréscimo de habitantes.
Publicado por Ilídio Monteiro Alves às 10:10

Regressar ao Topo | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Terça-feira, 8 de Julho de 2014

Nótulas demográficas d'Além Sabor - 1: Apresentação

A demografia, ciência que estuda as flutuações populacionais ao longo dos tempos, é uma das áreas de interesse deste investigador-panfletista que se vos apresenta aqui com regularidade, conquanto nos mostra (no interior em geral, logo também em Vila Flor) um cenário assombroso  de desertificação, besta negra que nos aflige (ou devia afligir) a todos, mas que apoquenta este gazetista em particular, na medida em que conduz (talvez em maior medida do que qualquer outra causa, mais ou menos conjectural) o país à ruína, através de um desequilíbrio demográfico inquietante e de um abandono total de uma metade do país, a nossa metade do país.

 

Ímpio fardo a pesar sobre as povoações do interior, a desertificação não é coisa de agora (recordem-se as crónicas aqui escritas, há poucos meses, onde pudemos analisar as várias causas e consequências da desertificação), mas para saber quando, exactamente, começou a lavrar este imparável fogo que tudo consome, temos de ir aos dados estatísticos.

 

Pois bem, aproveitando uma série de quadros estatísticos do INE publicados na versão portuguesa da Wikipédia, iremos conduzir, ao longo das próximas semanas, uma análise sobre a evolução demográfica de cada freguesia de Vial Flor, ao longo dos últimos 150 anos, o que é um prazo bastante alargado, pelo que podemos ter acesso ao panorama geral da evolução demográfica de cada povoado.

 

Os méritos da recolha e tratamento dos dados estatísticos não são nossos (o seu a seu dono, pois claro!) e encontrámos estes quadros já feitos, mas a análise a publicar, onde entrecruzaremos os ditos dados com acontecimentos da história, para melhor perceber o porquê de cada variação, será da nossa feitura.

 

Uma vez que a desertificação é um dos maiores (o maior, até) problemas que afectam as nossas terras do sertão, sentimos ser nosso dever, dar alguma espécie de contributo (por ínfimo que seja) para alguma espécie de contra-ataque à desertificação (creio que uma resolução total já não será possível, mesmo que houvesse muita vontade política para tal). Assim, juntando às crónicas que aqui já deixámos (onde expusemos as causas e consequências), estas novas nótulas puramente estatísticas, pomos a nu o 'monstro' e chamamos a atenção para a sua verdadeira dimensão, fazendo a nossa parte, a do labor da pena, no ataque ao problema. A outros caberá, necessariamente, a outra parte, a mais importante: a do labor da espada, que possa lograr a fazer frente a fera tão destruidora, como é a desertificação.

 

 

 

 Gavião, outrora freguesia, hoje aldeia deserta, anexa ao Seixo de Manhoses, em fotografia própria de 2009. Se a evolução demográfica continuar com a tendência que tem tido nas últimas décadas, quantos mais 'Gaviões' existirão?

Temas:
Publicado por Ilídio Monteiro Alves às 10:10

Regressar ao Topo | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Terça-feira, 1 de Julho de 2014

VASCO FERNANDES DE SÃO PAYO

Um Grande Fidalgo de Vila Flor

 

Por: Jofre de Lima Monteiro Alves

 

    Vasco Fernandes de São Payo, filho primogénito e herdeiro de Fernão Vaz de São Payo e de D. Senhorinha Pereira, nasceu em 1420.

 

ÁRVORE DE COSTADOS DE VASCO FERNANDES DE SÃO PAYO

Próprio

Pais

Avós

Vasco Fernandes de São Payo

 

N. 1420

F. 1472

Fernão Vaz de São Payo

N. 1380

Vasco Pires de São Payo

 

D. Senhorinha Pereira

N. 1395

D. Henrique Pereira

 

 

 

    Foi moço-fidalgo da Casa Real[1] (1434); participou na Batalha de Alfarrobeira nas hostes do rei Dom Afonso V, contra o Infante Dom Pedro, “o das Sete Partidas” (20 de Maio de 1449); teve uma demanda com Martim Coelho «sobre hũua quymtãa que chamam de Bambares», no termo de Vila Real, «da quall quymtãa elle esteue em posse tempo avia e a possuya como cousa sua própria que era e de sua heramça», e que sem embargo dessa posse «ho ditto Martim Coelho ho trazia na dita demanda e comtenda sobre a dita quymtãa, mays por ho afadigar e lhe dar despesas e trabalho q por ter direito algũu neella», para além de o tal Martim Coelho ter sido partidário do Infante Dom Pedro na Batalha de Alfarrobeira e estava, por isso, ausente «e ora se fora de nossos regnos», motivo pelo qual El-Rei Dom Afonso V lhe deu razão e lhe fazia «merçee dalgũu direyto que o dito Martim Coelho comtra elle tiuesse» (30 de Junho de 1449)[2]; proprietário; 3.º Senhor Donatário de Vila Flor (1449); senhor da renda dos serviços novos e portagem dos judeus de Torre de Moncorvo e Vila Flor (1449); Senhor de Mós e Urros (1449)[3]; 2.º Senhor de Chacim, com todos os bens de raiz e móveis, de juro e herdade, por carta régia de confirmação dada em Évora (17 de Novembro de 1449)[4]; Senhor do Vale da Sancha (1449)[5]; Senhor de Frechas (1449); Senhor da Quintela de Lampaças (1449); Senhor de Barqueiros (1449); chefe da linhagem, do nome e das armas da família Sâo Payo ou Sampayo (1449); carta régia pela qual foi nomeado 3.º fronteiro da vila de Torre de Moncorvo e seu termo, de Vila Flor e da vila de Ansiães, em sucessão de seu pai e avô (11 de Março de 1450)[6]; 6.º Senhor da Honra de São Paio ou Sampaio, de juro e herdade (14 de Novembro de 1450); carta régia da mercê das “terças” das igrejas de Mós e Urros, cuja posse lhe era contestada por Pero Teixeira, contador d’el-rei na Comarca de Trás-os-Montes (15 de Fevereiro de 1452)[7]; fidalgo da Casa Real (1452); carta régia de confirmação da mercê de coudel geral de Ansiães, Lamas, Mós, Sampaio, Torre de Moncorvo, Vila Flor, Vilarinho da Castanheira e Vilas Boas e das «coudellarias dos seus lugares, scilicet d’Amçiaães e de Villa Froll e da Torre de Mem coruo e das Lamas e de Moos e de Villarinho da Castinheira e de Villas Boas e dos outros seus lugares» (10 de Abril de 1452)[8]; carta régia de 20.000 réis brancos de tença «ẽ cada huũ anno» pelo «casamento amtre Vasco Frr̃z de Sam Payo fidallgo da nossa cassa e Isabell de Gouvea filha de Iohã de Gouvea», a pagar no almoxarifado da Torre de Moncorvo, enquanto não se pagar a promessa de «duas myl coroas de boõ ouro e justo pesso», passada por el-rei Dom Afonso V em Évora (19 de Junho de 1453)[9]; instrumento público de contrato pelo qual João de Gouveia, cavaleiro fidalgo da Casa Real, e sua mulher, se comprometiam a dar «em dote Almendra e Castello Melhor com Isabell de Gouvea sua filha», «com todos seus beẽs movees e de raaiz e frutos», como penhor enquanto não pagasse «mill escudos douro em que lhe eram obriguados» a pagar a «Vaasqvo Fernandez», de Vila Flor (18 de Setembro de 1454)[10]; carta régia pela qual João de Gouveia e sua mulher concederam a «Vasco Fernãdez e Izabel de Gouvea sua molher» as rendas dos lugares de Almendra e Castelo Melhor, até lhes pagar integralmente o dote de 1000 escudos de ouro (30 de Setembro de 1454)[11]; carta régia pela qual seu sogro João de Gouveia foi autorizado a dar de penhor os lugares de Almendra e Castelo Melhor a Vasco Fernandes de São Payo, com as respectivas rendas e direitos, enquanto não desse ao seu genro o dote de 1000 escudos de ouro (7 de Outubro de 1454)[12]; os procuradores do concelho de Ponte de Lima nas Cortes de Lisboa apresentam queixa contra Vasco Fernandes de São Payo, por obrigar os seus moradores e vizinhos ao pagamento de portagens e passagens, indo ao ponto de lhes lançar «penhora» sempre que passassem por Torre de Moncorvo, e isto tudo era contrário às leis, pois os moradores de Ponte de Lima estavam isentos das obrigações de portagens e passagens, sempre que viajassem pelo Reino (Março de 1455)[13]; carta régia da mercê da renda dos foros e direitos do pão, pensão dos tabeliães, serviço novo e portagens dos judeus de Freixo de Espada à Cinta (4 de Fevereiro de 1458)[14]; Senhor de Vilas Boas (6 de Fevereiro de 1458); carta régia pela qual Dom Afonso V doa a Vasco Fernandes de São Payo, fidalgo da Casa Real, para ele e um seu filho que depois dele a dita terra herdar, da jurisdição civil e crime das terras de Vila Flor e Vila Boas e seus termos, e que aí possam nomear juízes e tabeliães, com a ressalva da reserva para o rei da correição e alçada régia e a confirmação dos ditos tabeliães, em duas vidas (6 de Fevereiro de 1458)[15]; carta régia da mercê ao «dito Vasco Fernandes de São Payo que tenha e haja daqui em diante em sua vida» da renda dos serviços novos e portagem dos judeus de Torre de Moncorvo, Vila Flor, Mós e outros lugares que Vasco Fernandes possuísse de «juro e herdade que são da coroa de nossos reinos», dada em Leiria (6 de Fevereiro de 1458)[16]; carta régia pela qual El-Rei Dom Afonso V autoriza «Vasquo Fernãdez de Sam Payo e sua mulher e filhos» a «hyr», «estar» e residir na «villa de Freixo» durante «dois meses em cada huũ anno pera averem de recadar e comer» os «foros e derytos q̃» têm «na vila de Freixo dEspada Cinta», e isto «sem enbarguo de privillegios que o dito Comcelho tenha» de embargar a presença de fidalgos (6 de Março de 1459)[17]; carta d’El-Rei Dom Afonso V respondendo a um capítulo apresentado em Cortes pelos procuradores da Torre de Moncorvo sobre a prepotência dos corregedores, arrematantes das rendas reais e poderosos da terra, queixando-se, também que «em esta villa ha huũa ribeira que chamam de Saavor e Vallariça», na qual os moradores e lavradores recebem «muj gramde agrauo» do «fidallguo» «Vasco fernandez de Sampayo e de seu mordomo» e, por isso, pedem «aos Juizes e officiaaes que façam guardar suas pusturas amtiiguas que dello teem. E nom comssemtam a Uaasco Fernandez que sobre ello faça alguũ em barguo e se o dito Uasco Fernandez de puro feitio» reincidir, pedem «ao corregedor da comarca que uenha aa dita uilla e faça comprir as ditas pusturas segumdo foor dereyto e rezam» (7 de Julho de 1459)[18]; contrato entre as vilas de Freixo de Espada à Cinta, Mogadouro e Mós, acerca dos limites dos respectivos concelhos, assinado, entre outros, por Vasco Fernandes de São Payo (1 de Agosto de 1460)[19]; o almotacé-mor Pero Lourenço inclui a localidade de Barqueiros, que pertencia ao fidalgo Vasco Fernandes de São Payo, no rol das vinte terras que não cumpriam a obrigação de respeitar o padrão métrico da cidade do Porto (1462)[20]; carta de Dom Afonso V fazendo mercê a D. Mécia, mulher de Vasco Fernandes de São Payo, de todos os bens móveis e de raiz confiscados a Vasco Afonso, mercador e morador em Moncorvo, por haver comprado espadins falsos para os passar por moeda boa (20 de Fevereiro de 1464)[21]; sentença da Comarca de Trás-os-Montes, dada em Murça de Panóias, contra as arbitrariedades de Vasco Fernandes de São Payo, Senhor de Sampaio e de Vila Flor (13 de Agosto de 1466)[22]; súplica de João Saraiva, mestre em Teologia e ao serviço do nobre Vasco Fernandes de São Payo, «in servitio nobilis militis Vasci Fernandi de Santo Payo, domorum castrorum de Villa Froll et de la Torre de Meencorvo», sobre benefícios eclesiásticos, apesar de ser religioso» (19 de Agosto de 1466)[23]; carta de Dom Afonso V, passada em Sintra, na qual dava licença a Rui Gonçalves Alcoforado, cavaleiro da Casa do Conde de Ourém, e a sua mulher, para venderem a Vasco Fernandes de São Payo a terra da Bemposta, de juro e herdade, com todas suas rendas e direitos, tributos e jurisdição cível e crime, assim e pela guisa que se continha e fazia menção nas cartas de doação outorgadas a Rui Gonçalves Alcoforado (2 de Outubro de 1469); carta régia de confirmação da compra da vila da Bemposta, a qual Vasco Fernandes de São Payo, «fidalgo da casa delrei e do seu Conselho», e dona Mécia de Melo, sua mulher, compraram a Rui Gonçalves de Alcoforado e a D. Filipa Vaz, sua mulher, por 235.000 reais brancos, «que logo receberam, todo pago em bom ouro de justo preço, que foram 587 anriques e meio de ouro, do cunho de Castela, contados a 400 rs. por peça, em que montaram os ditos 235.000 rs. brancos», com autorização e provisão d’El-Rei Dom Afonso V (6 de Dezembro de 1469)[24]; Senhor da Bemposta, na comarca de Trás-os-Montes, com todas as casas, pardieiros, vinhas, herdades de pão, azenhas, moinhos, pesqueiras e outros bens de raiz (1469); conselheiro do Conselho de El-Rei Dom Afonso V (1469); Senhor de Parada de Pinhão, na Comarca de Vila Real; Senhor de Torre de Moncorvo; alcaide-mor de Torre de Moncorvo[25]; carta régia pela qual El-Rei Dom Afonso V perdoa a Fernão da Mesquita, cavaleiro, o degredo de sete anos e qualquer outra pena, a que fora condenado para a cidade de Ceuta, pela morte de João de Mós, criado de Vasco Fernandes de São Payo, na sequência do perdão geral outorgado aos homiziados que serviram na armada e conquistas de Arzila e Tânger (14 de Novembro de 1471)[26]; carta régia a D. Mécia de Mello, «molher de Vasco Fernandez de San Payo do nosso Conselho», da mercê da renda dos foros e direitos do pão, pensão dos tabeliães, serviço novo e portagem dos judeus de Freixo de Espada à Cinta, que seu marido trazia da Coroa (12 de Fevereiro de 1472)[27].

 

    Faleceu em 1474[28]; carta régia de confirmação do senhorio de Vila Flor, Vilas Boas e Sampaio a «Fernãm Vaaz fidalguo da Cassa do Principe, filho de Vasco Fernandez de Sam Payo que se ora finou» (28 de Junho de 1474)[29]; carta régia a D. Mécia de Melo, viúva, de confirmação da mercê, em sua vida, da renda dos foros e direitos do pão, portagem e pensão dos tabeliães e serviço novo da portagem dos judeus em Freixo de Espada à Cinta e pela qual o contador da Comarca ou almoxarife de Torre de Moncorvo lhe deviam dar posse das ditas rendas e direitos (25 de Novembro de 1497)[30]; carta régia a D. Mécia de Melo, «mulher que fora de Vasco Fernandes de São Payo», de confirmação de doação e instrumento de compra da vila da Bemposta que apresentara, sem embargo de ser mulher (12 de Dezembro de 1498); padrão de 5$006 réis de tença a D. Mécia de Melo, viúva de Vasco Fernandes de São Payo, em vez da renda da portagem dos judeus de Freixo de Espada à Cinta (4 de Julho de 1500)[31]; carta de mercê a D. Mécia, mulher que foi de Vasco Fernandes de São Payo, do padrão de 5$600 reais de tença em satisfação da renda, foros e direitos de parte e pensão dos tabeliães e portagem de judeus de Freixo Espada à Cinta (4 de Junho de 1501)[32].

 

    Casou pela primeira vez em 1453 com D. Isabel de Gouveia, nascida em 1433, filha de João de Gouveia e de D. Leonor Gonçalves Colaço; sem geração.

 

    «Vasco Fernandez de Sampayo, Alcaide mayor de la torre de Moncorbo y Señor de Villaflor y otros lugares»[33] casou em segundas núpcias em 1455 com D. Mécia de Mello, filha de Vasco Martins de Mello[34], alcaide-mor de Évora, e de D. Beatriz[35] de Azevedo[36]; com geração.

 

ÁRVORE DE COSTADOS DE D. MÉCIA DE MELLO

Própria

Pais

Avós

D. Mécia de Mello

 

Vasco Martins de Mello

Alcaide-mor de Évora

Martim Afonso de Mello

D. Briolanja de Sousa

D. Beatriz de Azevedo

João Lopes de Azevedo

D. Leonor Leitão

 

    Filhos do casamento de Vasco Fernandes de São Payo e sua mulher D. Mécia de Mello:

1 – FERNÃO VAZ DE SÃO PAYO, nasceu em 1455.

4.º Senhor Donatário de Vila Flor; de quem um dia falaremos, quando houver ocasião para tal.

2 – FRANCISCO DE SÃO PAYO, nasceu em 1456.

Moço-fidalgo da Casa Real (1484)[37].

Faleceu em 1521.

Casou com D. Filipa da Silva Pereira, filha de Jaime Pereira; sem sucessão[38].

3 – D. JOÃO DE MELLO E SÃO PAYO ou João de Mello e Sampayo, nasceu em 1457.

6.º Dom Abade Comendatário do Mosteiro de Santa Maria de Pombeiro, no concelho de Felgueiras, «no tempo do Rey D. Manuel»[39] (1507 – 1525).

Faleceu em 1525 e foi sepultado no Mosteiro de Santa Maria de Pombeiro[40]; de quem um dia falaremos.

4 – D. BRITES DE MELLO PEREIRA[41], nasceu em 1459.

Casou com D. Jorge de Eça, alcaide-mor de Muge, filho de D. Garcia de Eça e de D. Joana de Albergaria[42].

5 – D. FILIPA DE MELLO, nasceu em 1460.

Casou com João de Mendonça, “o Cação”, alcaide-mor de Chaves, nascido em 1450, filho de Afonso Furtado de Mendonça e de sua segunda mulher D. Beatriz de Vilharguda; com geração[43].

6 – D. JOANA DE MELLO, nasceu em 1461.

Dama da Rainha Dona Leonor[44]; proprietária.

Casou com Duarte Peixoto de Azevedo, 3.º Senhor de Penafiel de Sousa e Vedor da Casa de El-Rei, filho de João Peixoto e de D. Briolanja de Azevedo[45]; com geração.

Filho bastardo de Vasco Fernandes de São Payo:

7 – DIOGO DE SÃO PAYO, nasceu em 1464 em Vila Flor.

Contador da Comarca de Trás-os-Montes; de quem falaremos noutro artigo.



[1] Manuel de Sampayo Pimentel Azevedo Graça, Santa Marinha de Vila Marim: Em Torno de Um Brasão-de-Armas…, in GENEALOGIA & HERÁLDICA, n.º 7/8, Porto, 2002, p. 66.

[2] ANTT, Livro 4 de Além-Douro, fl. 189.

[3] Humberto Baquero Moreno, A Batalha de Alfarrobeira: Antecedentes e Significado Histórico, volume II, Coimbra, 1980, p. 947.

[4] ANTT, Chancelaria de Dom Afonso V, liv. 34, fl. 24v.

[5] ANTT, Chancelaria de Dom Manuel I, liv. 28, fl. 15.

[6] ANTT, Chancelaria de Dom Afonso V, liv. 34, fl. 16.

[7] ANTT, Chancelaria de Dom Afonso V, liv. 12, fl. 18.

[8] ANTT, Livro 2 de Além-Douro, fl. 35v.

[9] ANTT, Chancelaria de Dom Afonso V, liv. 3, fl. 80.

[10] Luiz de Mello Vaz de Sampayo, Subsídios Para Uma Biografia de Pedro Álvares Cabral, Coimbra, 1971, p. LXI.

[11] ANTT, Chancelaria de Dom Afonso V, liv. 15, fl. 96.

[12] ANTT, Chancelaria de Dom Afonso V, liv. 10, fl. 106.

[13] ANTT, Chancelaria de Dom Afonso V, liv. 15, fl. 65v.

[14] ANTT, Livro 3 de Além-Douro, fl. 76v.

[15] ANTT, Chancelaria de Dom Manuel I, liv. 29, fl. 118, cota PT/TT/CHR/K/29/118-430.

[16] ANTT, Livro 1 de Além-Douro, fl. 211-212.

[17] ANTT, Livro 3 de Além-Douro, fl. 13.

[18] ANTT, Livro 3 de Além-Douro, fl. 20v; Chancelaria de Dom Afonso V, liv. 23, fl. 53v.

[19] Hirondino da Paixão Fernandes, Bibliografia do Distrito de Bragança: Série Documentos – Documentos (textos) Publicados 569 – 1870, tomo I, Bragança, 1996, p. 93.

[20] Sérgio Carlos Ferreira, Para Uma Nova Interpretação da Realidade Metrológica Tardo-Medieval: Geografia, Política e Sociedade, in REVISTA PORTUGUESA DE HISTÓRIA, tomo XLI, Coimbra, 2010, p. 233.

[21] ANTT, Chancelaria de Dom Afonso V, liv. 8, fl. 60v.

[22] Francisco Manuel Alves, Moncorvo: Subsídios Para a Sua História, Porto, 1909, pp. 188-189.

[23] Artur Moreira de Sá, Chartularium Universitatis Portugalensis (1456-1537), volume VI, Lisboa, 1974, p. 384.

[24] ANTT, Chancelaria de Dom Manuel I, liv. 13, fl. 27.

[25] Cristóvão Alão de Moraes, Pedatura Lusitana, volume II, tomo 1.º, Braga, 1997, p. 59.

[26] Manuel Abranches de Soveral, Ensaio Sobre a Origem dos Mesquitas.

[27] ANTT, Chancelaria de Dom Manuel I, liv. 35, fl. 82.

[28] Carta régia de 28 de Junho de 1474 de confirmação do senhorio de Vila Flor a Fernão Vaz de São Payo, filho de Vasco Fernandes de São Payo, «que ora se finou».

[29] ANTT, Livro 1 de Além-Douro, fl. 211-212.

[30] ANTT, Chancelaria de Dom Manuel I, liv. 13, fl. 26v.

[31] ANTT, Livro de Místicos da Chancelaria Régia, liv. 1, fl. 250v.

[32] ANTT, Chancelaria de Dom Manuel I, liv. 35, fl. 142, cota PT/TT/CHR/K/35/142-863.

[33] D. Luis Vilar y Pascual, Diccionario Histórico, Genealógico y Heráldico de Las Familias Ilustres de La Monarquía Española, tomo I, Madrid, 1859, p. 418.

[34] Vasco Martins de Melo, nascido em 1411 e falecido em 1459, filho de Martim Afonso de Melo e de D. Briolanja de Sousa, foi escudeiro (1432), alcaide-mor de Évora (1432), fidalgo da Casa Real (1439), alcaide-mor de Castelo de Vide, fronteiro-mor de Castelo de Vide (1443), procurador às Cortes (1455), conselheiro do Conselho Régio (1456) e participou na conquista de Alcácer Ceguer (1458). Casou a primeira vez em 1433 com D. Beatriz de Azevedo, filha de João Lopes de Azevedo e de D. Leonor Leitão, e casou em segundas núpcias em 1439 com D. Isabel de Abreu Silveira, filha de Nuno Martins da Silveira e de D. Leonor Gonçalves de Abreu.

[35] Ou D. Isabel de Azevedo, segundo opinião de Felgueiras Gayo.

[36] Manuel de Menezes de Mello Vaz de São Payo, O Parágrafo Segundo (A Casa de Ribalonga), Lisboa, 1984, p. 9.

[37] D. António Caetano de Sousa, Provas da Historia Genealogica da Casa Real Portugueza, tomo II, Lisboa, 1742, p. 181.

[38] D. António de Lima Pereira, Nobiliário de Portugal, cópia de Álvaro Ferreira de Vera, 1644, fl. 459.

[39] Manuel Felgueiras Gayo, Nobiliário de Famílias de Portugal, IX volume, tomo XXVI, Braga, 1990, p. 264.

[40] Padre António José Ferreira Caldas, Guimarães: Apontamentos Para a Sua História, volume I, Porto, 1881, p. 241.

[41] Ou D. Brites da Silva Pereira, segundo Felgueiras Gayo, ou D. Brites de Melo, na opinião de Alão de Moraes.

[42] D. António Caetano de Sousa, Historia Genealogica da Casa Real Portugueza, tomo XI, Lisboa, 1745, p. 714 e 1715.

[43] Manuel Abranches de Soveral, Manuel Lamas de Mendonça, Os Furtado de Mendonça Portugueses: Ensaio Sobre a Sua Verdadeira Origem, 2004, p. 83.

[44] Felgueiras Gayo, Nobiliário de Famílias de Portugal, VIII volume, tomo XXII, Braga, 1989, p. 125.

[45] Maria Adelaide Pereira de Moraes, Velhas Casas de Guimarães, volume 2, Porto, 2001, p. 627.

Publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 00:30

Regressar ao Topo | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Domingo, 8 de Junho de 2014

Outros Concelhos dentro do Concelho de Vila Flor - n.º 5 - VILAS BOAS

Para findar esta série de crónicas referentes aos antigos concelhos que tiveram, em tempos de antanho, existência dentro do espaço físico que hoje o concelho de Vila Flor ocupa, cumpre traçar o retrato do concelho de Vilas Boas.

 

E no que toca a Vilas Boas, uma peculiaridade surge, que concerne em saber quando exactamente foi esta povoação elevada à categoria de município. Um qualquer caso típico de fundação autárquica será, como todos os casos até agora analisados, efectuado por um foral, concedido, como vimos, por El-Rei ou por outro poder senhorial (fidalgo ou clérigo), numa data determinada e com estipulações certas sobre os direitos e deveres dos vizinhos. Ora Vilas Boas tem esse mesmo documento foraleiro, datado de 1512, outorgado por D. Manuel I.

 

Contudo, a confusão, no caso de Vilas Boas surge ao se tentar perceber se antes dessa data já existia aí um concelho, pois não há certeza absoluta que um foral anterior exista. Expliquemos pois, do melhor que pudermos, este caso bicudo da história.

 

É seguro que quando Mirandela recebeu foral em 1250, passado por El-Rei D. Afonso III, Vilas Boas fazia parte deste concelho. A questão reside pois, em saber quando ganhou autonomia. A dúvida toda radica num episódio do reinado fernandino que, como já observámos na crónica anterior (referente ao Vilarinho da Castanheira), herdando um país largamente despovoado por causa da peste negra, decide operar uma extensa reforma administrativa (a primeira que o país conhecera) extinguindo concelhos, transferindo povoados de uns concelhos para outros ou mandando que certos aldeãos fossem povoar determinadas vilas. Uma das primeiras medidas dessa reforma incidiu precisamente sobre Vila Flor, que, detendo uma área pequena e não estando "pobrada como compria", leva D. Fernando a decidir em 1369 anexar-lhe "as aldeas todas de Mirandella e outrossi Vilasboas com suas aldeas que tem", para que "se pudesse milhor pobrar" a dita vila.

 

Quanto a este documento, o modo vago como é formulado ("as aldeas todas") poderá surgir desde logo uma dúvida: teria, nessa data, Vila Flor abarcado todo o concelho de Mirandela? A melhor opinião será a sufragada pelo P.e Ernesto Sales (estudioso-mor da história de Mirandela e contemporâneo e confrade do Abade de Baçal na busca do conhecimento dos assuntos relativos ao Distrito de Bragança) e mais tarde pelo Professor Doutor Baquero Moreno que defendem que se tratou apenas de uma anexação das aldeias de Mirandela que eram contíguas com Vila Flor (não sendo possível identificar quais, pois o documento não esclarece) uma vez que Mirandela seria uma vila importante e não há registo que alguma vez tenha sido suprimida.

 

Mas, e naquilo que nos toca? Isto é, quanto a Vilas Boas em si? Teria sido toda ela anexada a Vila Flor? E a sua referência no documento, autonomizada de Mirandela, quereria significar que nesse ano de 1369, Vilas Boas já era independente de Mirandela? E se o era, desde quando?

 

As respostas e estas indagações podem ser retiradas de um documento que os habitantes de Vilas Boas enviaram a D. Fernando em 1374, queixando-se dessa mesma anexação a Vila Flor, por não respeitar uma carta que D. Afonso IV (seu avô, portanto) tinha outorgado em favor de Vilas Boas, impedido que os de Mirandela se intrometessem nos seus assuntos.

 

Ora segundo uma interpretação viável deste documento, todas as questões acima demandadas teriam resposta positiva: Vilas Boas já seria concelho, tendo ganho autonomia de Mirandela algures no reinado de D. Afonso IV (entre 1325 e 1357) e estaria agora totalmente sujeita a Vila Flor.

 

E se bem que, por um lado o tal documento Afonsino nunca veio à luz pelo que não será totalmente claro que essa dita "carta" fosse um verdadeiro foral, por outro porém, em minha opinião, é bastante seguro defender que Vilas Boas seria já sede de concelho deste meados do século XIV, pois devemos lembrar que nem todos os forais eram iguais, na medida em que podiam estabelecer graus de autonomia diversos dos vários concelhos, podendo estabelecer concelhos totalmente dignos desse nome, mas que numa ou noutra área estariam dependentes de um concelho vizinho de maior tamanho (por exemplo, no que à defesa tocava). Era, aliás, uma situação bastante comum na era medieval, pelo que, mesmo que a tal "carta" que D. Afonso IV teria outorgado a Vilas Boas (e sabemos que este monarca andou muitos anos por terras Bragançanas, tentando evitar a pestilência) não fosse um exemplo clássico de um foral completo, poderia, não obstante, instituir um concelho.

 

 

Mapa retratando os limites aproximados do concelho de Vilas Boas nas vésperas da sua extinção, que se mantiveram praticamente inalterados ao longo dos 500 anos que existiu.

 

 

Seja como for, D. Fernando deu razão à petição dos munícipes de Vilas Boas e fez saber ao concelho de Vila Flor "ca nossa mercee he de lhe ser guardada a dicta carta e de seerem issentos sobre ssy" assim ordenado que "o concelho de villas boas seia julgado sobre ssy", logo confirmando a autonomia de Vilas Boas como concelho  e expressamente o afirmando como tal.

 

Outro indício de que Vilas Boas já teria uma autonomia como concelho anterior ao foral de 1512, é o facto deste foral começar com uma frase em que D. Manuel I diz: "A quantos esta carta de foral virem dado à nossa vila de Vilas Boas fazemos saber", estando pois referir-se à localidade já com o tratamento de vila, significando tipicamente (mas não exclusivamente) que essa povoação já detinha o estatuto de vila antes do foral que o monarca se propõe a outorgar.

 

Deste modo propugnamos, ao contrário do que é nos dias de hoje voz corrente, que o foral manuelino de 1512 não foi o documento que instituiu a independência autárquica de Vilas Boas relativamente a Mirandela, mas antes se tratou de uma confirmação (de um foral novo, como quase todos os passados por D. Manuel I) dessa mesma autonomia que já radicava num documento dos tempos de D. Afonso IV, que, mesmo não sendo conhecido, foi usado por D. Fernando I em 1374 para assegurar a autonomia de Vilas Boas como concelho face a Vila Flor (e Mirandela, naturalmente).

 

Esclarecida que está esta questão de saber quando ocorreu a fundação do município de Vilas Boas (quer dizer, esclarecido, segundo nossa opinião, que admite, como é óbvio, melhor opinião contrária sustentada), podemos prosseguir ao referir algumas outras indicações que relevem sobre o concelho de Vilas Boas em tempos antigos.

 

O concelho sempre foi de certo modo diminuto, e por isso partilhava alguns órgãos com Vila Flor. Por exemplo, na COROGRAFIA PORTUGUEZA, dá-nos conta o P.e Carvalho da Costa que o Juiz dos Órfãos era comum com o de Vila Flor, do mesmo modo que o Ouvidor de Vila Flor tinha jurisdição sobre Vilas Boas, bem como a Companhia  de Ordenanças local respondia ao Capitão Mor de Vila Flor. Nesta época (1707) o concelho contava com 216 fogos: 145 na sede, 30 no Vilarinho das Azenhas, 25 no Vieiro, 12 em Meireles e apenas 4 na Ribeirinha (que aparece sob o nome de Sarzeda...).  

 

Em 1758, nas MEMÓRIAS PAROQUIAIS, o município de Vilas Boas continha 192 fogos, sendo que 125 se localizavam na sede, 32 no Vilarinho  das Azenhas, 32 em Meireles e apenas 3 na Ribeirinha. Note-se porém que se desconhece o número de fogos do Vieiro, pois foi contabilizado em uníssono com Freixiel, pois, recordamos, embora civilmente tenha integrado o concelho de Vilas Boas, religiosamente ainda estava na paróquia de Freixiel. Nos censos de 1801 contaram-se 708 habitantes em todo o concelho. Era, portanto, um concelho pequeno, pelo que não pôde resistir quando os liberais triunfantes decidiram atear um fogo extintivo aos antigos concelhos, foros e liberdades das populações, pondo um termo a grande parte das autonomias locais e privando as populações da proximidade dos centros de decisão.

 

 

 Pelourinho de Vilas Boas, do século XVI, símbolo magnífico da autonomia local em fotografia própria de 2014.

Publicado por Ilídio Monteiro Alves às 10:10

Regressar ao Topo | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Domingo, 1 de Junho de 2014

CANTIGAS POPULARES DE TRÁS-OS-MONTES XXXII

TANHO NO MAR UM NABIO

 

Tanho[1] no mar um nabio

Cum[2] bint’e cinco[3] jinelas[4];

Cando[5] eu lá num[6] bou

Num s’abre[7] ninhũa[8] delas.

 

Tenho no mar um peixinho

Que se tchama tubarão;

S’ele[9] nũ[10] comess’a[11] jãite[12]

Dába lo[13] meu coração.

 

A felore[14] da gesta branca

De piquéna[15] cobr’o[16] o tchão;

Tâmém[17] as tuas ausências

Cobrãi[18] o meu coração.

 

Deitei o limão corrẽido[19]

Da praça pro poleirinho[20];

Canto mais o limão corre

Mais eu te quero, ámorzinho.

 

As môças para ser bouas[21]

Debem-se tchamar Maria:

A rosa para ser rosa

Debe ser d’Alèxandria[22].

 



[1] Tenho.

[2] Com.

[3] Vinte e cinco.

[4] Janelas.

[5] Quando.

[6] Não.

[7] Se abre.

[8] Nenhuma.

[9] Se ele.

[10] Não.

[11] Comesse a.

[12] Gente.

[13] Dava-lhe o.

[14] Flor.

[15] Pequena.

[16] Cobre o.

[17] Também.

[18] Cobrem.

[19] Correndo.

[20] Pelourinho.

[21] Boas.

[22] Alexandria.

Publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 01:00

Regressar ao Topo | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Segunda-feira, 26 de Maio de 2014

Eleições Europeias - Resultados em Vila Flor

O tema da actualidade, as eleições para o Parlamento Europeu deste fim de semana, não pode deixar de ser tratado aqui, neste cantinho da blogosfera reservado ao concelho de Vila Flor, pelo que aqui se publicam os resultados das ditas eleições no Munícipio e no Distrito.

 

 

No Concelho de Vila Flor, o eleitores pronunciaram-se da seguinte maneira:

Já a nível distrital, os eleitores bragançanos, decidiram-se assim:
Estas eleições ficam marcadas, porém, por uma abstenção assombrosa a nível nacional (2/3 dos eleitores totais), sendo que tanto no Distirto de Bragança como no concelho de Vila Flor, como se pode observar no fundo de cada imagem, a falta de adesão da população ronda os 70%, superior à média nacional. 
Publicado por Ilídio Monteiro Alves às 10:10

Regressar ao Topo | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Sexta-feira, 23 de Maio de 2014

Outros Concelhos dentro do Concelho de Vila Flor - n.º 4 - VILARINHO DA CASTANHEIRA

Dando seguimento ao tema que tem vindo a ser tratado nesta série de crónicas, prossigamos ao escrevinhar umas quantas nótulas sobre o ancião concelho de Vilarinho da Castanheira, outrora importante, hoje extinto, e cuja sede se encontra actualmente no vizinho concelho de Carrazeda de Ansiães.

 

Destarte, à partida, poderia parecer que seria injustificado um estudo historiográfico sobre este antigo concelho, uma vez que acabou integrado na Carrazeda, e não em Vila Flor, terra sobre a qual este blogue se centra.

 

Nada de mais errado! É que, com efeito, a maioria das antigas freguesias que integraram o extinto concelho sub judice foram arrematadas pelo concelho de Vila Flor, como veremos, constituindo toda a parte sul do município.

 

Em tempos mais recuados, aquando da fundação da nacionalidade, teria o Vilarinho da Castanheira pertencido a Ansiães, concelho mais antigo de Portugal (em conjunto com São João da Pesqueira). Mas desde cedo logrou a sua autonomia, obtendo foral em 1218, passado por D. Afonso II.

 

No documento, que é expressamente baseado no foral de Longroiva, o monarca estabelece os limites do concelho (que, diga-se se mantiveram praticamente inalterados durante os quase 650 anos que durou) citando muitos locais que ainda hoje podemos situar no mapa: começando nas margens do Douro e partindo de leste para oeste, iniciaria na folialada (local que não consegui identificar), passaria por Cabeza de Mauro (Cabeça de Mouro, hoje no município de Moncorvo), seguia pela fontem de Vide (também no município de Moncorvo), depois para a ecclesia de Manozes (Seixo de Manhoses), passaria depois por um lugar apelidado de seixo de Codesaes (que ficará algures entre Seixo de Manhoses/Carvalho de Egas por um lado e Samões por outro, mas que não logrei a identificar), corria depois pela pala das Teeras (a Pala das Tieiras, que fica entre Carvalho de Egas, Valtorno e Candoso), passava por Penafria, pelo porto do sseira (a ribeira da Osseira, situada entre Seixo de Ansiães e Vilarinho da Castanheira), prosseguindo para a carvala verina e para a armada de Fernando Mendes  (locais que não consegui identificar), para terminar, já de novo junto ao Douro na losa de bolfata, foz de lobazin e farfon (hoje em dia, respectivamente, as Quintas da Bulfata, de Lubazim e de Farfão, esta última já na freguesia da Lousa, Moncorvo).

 

 

 Mapa do concelho de Vilarinho da Castanheira, com as povoções que o constituiram, desde a primeira à última hora.

 

 

 

Do foral, que como todos os forais contem variadas disposições com vista a regular a vida quotidiana do vizinhos, podemos destacar uma norma, amplamente curiosa que ditava que quem matasse um urso, devia entregar ambas a mãos do animal ao alcaide...! Terminava a o documento, como também era comum na época, por equiparar a Iudas traditor (Judas, o traidor) quem contra ele se insurgisse, que também estava, neste caso concreto, condenado a ser engolido pela terra como Datã e Abirão (personagens bíblicos que se revoltaram contra Moisés).

 

Este não foi o único foral do Vilarinho da Castanheira, que conheceu mais três cartas forais, nomeadamente em 1287 (D.Dinis), 1363 (D. Pedro) e 1514 (D. Manuel). Dizia PINHO LEAL, no último quertel do século XIX, que "poucas villas do nosso paiz tiveram tantos foraes como esta, o que prova que foi uma vila muito importante!"

 

Porém, esta importância não obstou a que o concelho estivesse brevemente extinto, no reinando de D. Fernando. Com efeito, este monarca, foi o primeiro governante a operar uma reforma administrativa extintora de concelhos e autonomias (500 anos antes da reforma de Passos Manuel, e 650 anos antes da reforma que, pelo andar da carruagem, o futuro próximo trará), extinguindo umas boas dezenas de autarquias locais. Não nos podemos olvidar da  infame peste negra, que terá morto entre 50 a 75 milhões de pessoas em toda a Europa (um terço da população à época), mas que em Portugal terá ceifado quase metade da população. Assim, esta catástrofe demográfica levou a que muitos concelhos, que já seriam pequenos, ficassem quase desabitados, o que orientou o rei a decidir-se pela supressão em massa. O Vilarinho foi deste modo integrado em Moncorvo  em 1381, concelho que já tinha absorvido na década anterior os antigos concelhos de Urros e Mós (hoje, novamente, meras freguesias de Moncorvo). No entanto esta reforma não foi duradoura, devido a vários protestos dos conselhos suprimidos e a breve trecho, grande parte destes foram restaurados, incluindo o Vilarinho da Castanheira, em 1394, já sob égide de D. João I (monarca que em 1384 tinha integrado o Vilarinho da Castanheira, bem como Alijó, Ribatua, Favaios e Vila Real no concelho de Ansiães em punição por terem firmado com Castela na Guerra do Interregno). 

 

Em 1707, a COROGRAFIA PORTUGUEZA assinala no concelho dois juízes ordinários, um juiz de órfãos e três Companhias de Ordenanças, bem como 955 fogos, divididos da seguinte maneira: 240 na sede de concelho (200 no Vilarinho mais 40 no Pinhal do Douro), 250 na freguesia da Lousa, 125 na freguesia do Castedo, 38 na freguesias de Carvalho de Egas (aparecendo grafado como Carvalhadegas, assim, tudo junto e no feminino), 60  na freguesia de Seixo de Manhoses, 10 na freguesia do Gavião (hoje aldeia deserta, mas na época ainda era freguesia autónoma, veja-se bem), 82 na freguesia do Mourão, 120 na freguesia de Valtorno e 30 na freguesia de Alagoa (grafada como Lagoa, que na época ainda era freguesia autónoma face a Valtorno).

 

Meio século mais tarde, nas MEMÓRIAS PAROQUIAIS, registou-se uma ligeira diminuição na população, ma medida em que apenas se totalizavam 918 fogos no concelho inteiro, dividindo-se da seguinte forma pelas respectivas freguesias: 201 na sede, 75, no Seixo de Manhoses, 45 em Carvalho de Egas, 33 na Alagoa, 110 em Valtorno, 126 no Castedo, 246 na Lousa e 72 no Mourão.

 

No final desse século, em 1796, na DESCRIPÇÃO DA PROVINCIA DE TRAZ OS MONTES, registavam-se 927 fogos no concelho, totalizando 3321 habitantes, nos censos de 1801 contabilizavam-se  3003 habitantes e nos de 1849, somaram-se 3748 munícipes.

 

O concelho, que sempre gozou de alguma importância e prosperidade agrícola foi resistindo às duas primeiras vagas de supressões municipais operadas pelos liberais nos anos 30 e 40 da centúria de 1800, mas acabou por cair às mãos da reforma de 1853, sendo as freguesias de Carvalho de Egas, Seixo de Manhoses (com o Gavião já anexo), Mourão, Valtorno e Alagoa integradas no concelho de Vila Flor, sobrando as freguesias do Castedo e da Lousa para Torre de Moncorvo e a freguesia da sede para Carrazeda de Ansiães. Assim acabou um dos concelho mais velhos do nosso país, retalhado em três que nem um cordeiro, sendo a vila que o encabeçava votada a um abandono agonizante que lhe tolheu o crescimento e a reduziu à míngua demográfica perpétua. 

 

 

 

Pelourinho (recém reconstruido) de Vilarinho da Castanheira, em fotografia própria de 2014.

 

 

 

Publicado por Ilídio Monteiro Alves às 10:10

Regressar ao Topo | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Quinta-feira, 15 de Maio de 2014

'Vamos Limpar a Europa' passou por Vila Flor

O município de Vila Flor associou-se ao movimento trans-europeu 'Vamos Limpar a Europa' que pretende criar um ambiente mais sustentável no Velho Continente, para tal organizando num dia em cada ano, uma acção de voluntariado em que os cidadãos são convidados a sair de casa e em conjugação com as respectivas autoridades locais, botar mãos ao trabalho e limpar a sua área envolvente.

 

Este ano, o concelho de Vila Flor aderiu a esta campanha pan-europeia, com uma acção que decorreu no dia 12 deste mês, na Serra da Lapa, sobranceira à Vila, aonde acorreram inúmeros de vilaflorenses, que, com espírito colectivista e intensões sadias, abraçaram a causa que pretende criar um ambiente melhor, por toda a Europa globalmente, começando por cada localidade em particular.

 

Saúda-se o envolvimento dos munícipes e das instituições locais nesta iniciativa e deseja-se que haja continuidade nos anos que advém, pois um ambiente limpo e são, exige cuidados continuados.

 

Temas:
Publicado por Ilídio Monteiro Alves às 10:10

Regressar ao Topo | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Quinta-feira, 8 de Maio de 2014

Outros Concelhos dentro do Concelho de Vila Flor - n.º 3 - SAMPAIO

Prosseguimos este nosso mergulho no passado municipal de Vila Flor tratando do extinto concelho de Sampaio, que, por ter sido diminuto no tamanho e na duração, nos levará a produzir, em consonância, um artigo menor.

 

O vocábulo 'Sampaio' remete, com toda  a certeza para o Santo homónimo. Conta a hagiografia tradicional que São Paio ou São Pelágio (a primeira forma é a corruptela popular desta última), seria um cristão martirizado em Córdova no início do século X, a mando do próprio Califa Abderramão III, depois  de ter sido capturado numa batalha que opusera o monarca maometano a El-Rei Ordonho II de Leão. O seu culto é apenas relevante na península ibérica, sendo celebrado a 26 de Junho. Curiosamente, embora a povoação porte o nome deste santo, ele não é, de facto, o orago da paróquia, pertencendo esse posto a Santo André (o que é uma situação muito mais comum do que se possa pensar...).

 

Situado já em pleno vale da Vilariça, este povoado pertencia, ao tempo da fundação da nacionalidade, ao antiquíssimo concelho de Santa Cruz da Vilariça, como todas as demais terras da região (Vila Flor inclusive). A parir do final do século XIII, aquando da fundação do concelho de Vila Flor, Sampaio foi uma das terras que o integrou ab initio, em conjunto com as demais povoações da vertente ocidental do vale da Vilariça, que hoje constituem a parte oriental do concelho de Vila Flor: Roios, Santa Comba, Vale Frechoso, Benlhevai, Nabo, Samões, Assares e Trindade.

 

Sampaio foi, desde cedo, sede do potentado da casa de Sampaio, donatários de Vila Flor e Vilas Boas, entre outras, cujos gloriosos feitos de membros dessa família já por diversas vezes foram aqui tratados, nesta virtual gazeta. E por ser o local matricial de tão distinta e poderosa família, El-Rei D. Manuel I, em 1512, no âmbito da sua contínua reforma administrativa foralenga, elevou Sampaio à categoria concelhia, transformando-a numa 'honra' dos Condes de Sampaio.

 

Numa 'honra'?, perguntará o leitor. Com efeito, nesses tempos de antanho, os concelhos não eram uniformes, quer em termos de tamanho, como em termos de categoria. Por exemplo, se quisermos falar das disparidades em termos de dimensão entre concelhos de antigamente, vejamos o caso do concelho de Bragança que abarcava uma extensão de território incomensurável, abrangendo grande parte dos actuais concelhos de Vinhais, Vimioso (que já existiam, mas era mmuito mais pequenos do que hoje em dia) e Macedo de Cavaleiros (à altura inexistente), chegando mesmo às portas da Trindade, vejam bem! E isto tudo, enquanto continha, encravado dentre de si outro concelhos (como Gostei ou Rebordãos) exíguos e normalmente compostos por apenas uma, duas ou três povoações e, não raro, dependente de concelhos vizinhos maiores para a sua administração civil, militar ou judicial.

 

 

Mapa ilustrativo do panorama concelhio do actual distrito de Bragança, em meados do século XVIII. Podemos observar, como descrito no parágrafo anterior, a existência de concelhos enormes (como o de Bragança) par a par com concelhos minúsculos, muitas vezes encravados dentro do território de outro concelho. Fica bem patente que os concelhos não eram todos iguais e que foi, supostamente para atingir uma maior uniformidade e equilíbrio na composição dos concelhos que se deu a reforma administrativa de 1836.

 

 

É, neste último grupo de concelhos que, territorialmente, se incluía Sampaio, composto apenas pela sede e Lodões, ocupando uma área geográfica diminuta, e estando subordinado judicialmente e militarmente a Vila Flor, na medida em que partilhavam juízes e a companhia de ordenanças de Sampaio se encontrava subordinada à de Vila Flor.

 

 

 Mapa demonstrando os limites do antigo concelho de Sampaio, na alvorada do século XIX, pouco antes da extinção. 

 

 

Mas ainda se perguntará o leitor: uma ''honra'? Respondamos a esta dúvida persistente. Nos tempos de outrora, os concelhos não detinham todos a mesma classificação, variando consoante quem fosse seu 'dono'. Isto é, paralelamente aos concelhos em sentido corrente (que formavam a esmagadora maioria), existiam outros que, por pertencerem a determinadas entidades portavam outra denominação. Assim, se um concelho pertencesse à Coroa chamar-se-ia de 'reguengo'; se pertencesse a uma instituição religiosa, denominar-se-ia de 'couto'; e se pertencesse a um nobre, apelidar-se-ia de , isso mesmo, 'honra'. Ora, como a vila de Sampaio pertencia aos Condes de Sampaio, constituía, pois, uma 'honra'. Atente-se que, nestas três categorias ora expostas, os donos não eram meramente donatários dessas terras (digamos que, detentores por delegação do Rei) eram verdadeiros proprietários desses concelhos.

 

Do mais que se diga sobre o antigo concelho de Sampaio, destaca-se sempre essencialmente e sua pequenez crónica. Em 1707, continha apenas 140 fogos, em 1758, ainda menos, 72 fogos e em 1801, tinha 336 habitantes. Foi esta mesma pequenez perpétua que ditou a sua extinção, logo em 1836 e consequente (re)integração no concelho de Vila Flor, tendo, deste modo, o concelho de Sampaio durado pouco mais de três centúrias.

 

 

Perspectiva geral de Sampaio, à entrada da aldeia, de quem vem de sul.

 

 

Publicado por Ilídio Monteiro Alves às 10:10

Regressar ao Topo | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Quinta-feira, 1 de Maio de 2014

JOÃO BAPTISTA LOPES MONTEIRO

Por: Jofre de Lima Monteiro Alves

 

    João Baptista de Morais Frias de Sampaio e Melo Lopes Monteiro, de seu nome completo, filho de eng.º Manuel Maria Lopes Monteiro, doutor em Matemática, engenheiro civil e natural da freguesia de Castanheiro do Norte, e de D. Flora Amélia de Morais Frias de Sampaio e Melo, proprietária e natural da freguesia de Santa Maria Madalena de Fonte Longa, nasceu a 5 de Maio de 1892, faz agora 122 anos, na freguesia de Castanheiro do Norte, concelho de Carrazeda de Ansiães, distrito de Bragança.

 

ÁRVORE DE COSTADOS DE JOÃO BAPTISTA LOPES MONTEIRO

Próprio

Pais

Avós

João Baptista de Morais Frias de Sampaio e Melo Lopes Monteiro

 

N. Carrazeda de Ansiães 1892

Eng.º Manuel Maria Lopes Monteiro

Francisco Lopes Monteiro da Mesquita

D. Joana Monteiro de Morais

D. Flora Amélia de Morais Frias de Sampaio e Melo

Dr. João Baptista de Morais

D. Maria Teresa de Frias de Sampaio e Melo

 

    Foi baptizado na Igreja Matriz de São Brás de Castanheiro pelo reverendo pároco Inácio Alexandre Ribeiro Malheiro, servindo de padrinhos o dr. João Baptista de Morais, bacharel em Direito, e D. Maria do Céu Monteiro Frias (20 de Junho de 1892); licenciado em Medicina pela Escola Médico-Cirúrgica do Porto (1917); médico; tenente médico miliciano; combatente na Grande Guerra (1918); subdelegado de Saúde (1920); casou na freguesia de São João Baptista de Roios, concelho de Vila Flor, com sua prima D. Maria das Mercês de Jesus Pegado de Sousa Pinto Barroso, filha do dr. António Alexandre de Sousa Pinto Barroso e de sua mulher e prima D. Maria Amália Gomes de Magalhães Pinto Pegado (30 de Setembro de 1921); proprietário em Vila Flor e Carrazeda de Ansiães; Senhor da Casa de Roios (família Sampaio e Melo), em Vila Flor, pelo seu casamento (1921); Senhor da Casa do Farol, na Foz do Douro, Porto, pelo seu casamento; governador civil substituto do distrito de Bragança (1926); fundador e director do Hospital de Nossa Senhora dos Remédios (Julho de 1932 – Outubro de 1955); membro da Comissão Nacional de Assistência (1946); homenageado pela Câmara Municipal de Vila Flor pelos serviços prestados (28 de Novembro de 1957); provedor da Mesa Administrativa da Santa Casa da Misericórdia de Carrazeda de Ansiães (1966 – 1970); patrocinou a «construção de um Bairro de Casas para pobres» em Carrazeda de Ansiães ou Bairro da Misericórdia, com 24 moradias (1968 – 1970); sua mulher D. Maria das Mercês faleceu em Vila Flor (22 de Setembro de 1970).

 

    Faleceu na freguesia de Linhares, concelho de Carrazeda de Ansiães, a 5 de Abril de 1976, com 84 anos incompletos.

 

Publicou:

Breves Considerações Sobre a Gastro-Entérostomia, Porto, 1917.

O Castelo de Ansiães, 1948.

Publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 01:01

Regressar ao Topo | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Quarta-feira, 23 de Abril de 2014

Outros Concelhos dentro do Concelho de Vila Flor - n.º 2 - FREIXIEL

O primeiro dos antigos concelhos que existiram dentro do território do actual concelho de Vila Flor que iremos tratar em artigo próprio é Freixiel, seguindo uma ordem alfabética. Sobre a antiga vila de Freixiel muito há a dizer, pelo que, botemos as mãos ao trabalho.

 

O étimo "Freixiel" é de si um topónimo de raiz vegetal, derivando com alguma evidência de freixo, árvore que prolifera tão grandemente pelo nordeste trasmontano e que, por isso mesmo, também 'apadrinha' diversas povoações por este sertão de Além-Douro (Frechas, Vale Frechoso, Freixeda, Freixo de Espada-à-Cinta, etc).

 

O ancião concelho de Freixiel foi fundado em 1195 (em território que pertencia ao concelho de Ansiães, o mais velho do país), no reinado de D. Sancho I, segundo  monarca de Portugal. Mas não foi o rei a outorgar o foral que nessa data estabeleceu o concelho de Freixiel, pois, ao contrário da crença comum, nem sempre era o rei que concedia forais. Mas escutemos quem sabe, no caso os eméritos professores RUY e MARTIM DE ALBUQUERQUE: "Os forais eram outorgados quer pelo monarca - hipótese mais usual -, quer por um senhor eclesiástico (por exemplo o foral do Porto de 1123, que foi concedido pelo bispo D. Hugo) ou um senhor secular (como o de Sernancelhe de 1124, o de Numão de 1130, o de Arganil de 1175), quer ainda por uma instituição religiosa (estão nesta situação, o de Ferreira de 1156, o de Redinha de 1159, os de Tomar de 1162, 1174 e 1176, os de Pombal e do Castelo da Foz do Zêzere de 1174, todos oriundos de uma ordem militar)".

 

Ora, é precisamente neste último grupo de casos típicos de outorga de forais que se inclui o de Freixiel, que dimanou de D. Sancho Fernandes, Prior da Ordem do Hospital ou "prioll do espritall de todo portugal" como aparece no dito foral, consultado na monumental obra do ABADE DE BAÇAL. Como curiosidade note-se que esta outorga embora partisse da Ordem Militar do Hospital de São João de Jerusalém, teria o beneplácito régio, uma vez que sua majestade figurava, conjuntamente com o Bispo de Lamego e o Arcebispo de Braga, no rol de testemunhas da carta.

 

O foral fora redigido em latim pelo que, uns séculos depois se achava já incompreensível para as gentes de Freixiel. Assim, em meados do século XIV recorreu-se a Rui Fernandes, clérigo de Valtorno, "o qual era um homem gramático e bem entendido e que entendia bem o latim e o destinçava bem" que tratou de traduzir "do latim para linguagem o melhor que ele o entendera". O acto foi então oficializado por Pedro Domingos, tabelião régio de Vila Flor, que aí colocou seu sinal perante as testemunhas arroladas, confirmando a verdade do foral com selo real (e mediante o pagamento de cinquenta reis, pois com certeza...). 

 

Ora é essa versão em português medievo (ou linguagem, como o documento tão curiosamente refere) que ainda sobrevive e que pode ser consultada no tomo IV da obra do ABADE DE BAÇAL.

 

O foral em si seguia o estilo típico dos forais medievais: começa por ensaiar sobre os limites do concelho visado; passa para disposições sobre os direitos que os senhores da terra terão; e acaba a estatuir regras que regulem a vida quotidiana dos munícipes. O foral de Freixiel termina, porém, com a seguinte punição para quem contra o foral e os seus ditames se insurgir: "seja maldito e escomungado com Judas ho treedor no inferno condapnado"!

 

Como em quase todo lado, também Freixiel obteve foral novo das mãos de D. Manuel I, em 1515, que outorgava à "vila e terra de Freixiel da Ordem de Jerusalém" uma nova série de direitos e deveres, revogando expressamente o foral antigo.

 

Territorialmente, o próprio concelho de Freixiel não se manteve inalterado durante os cerca de 650 anos que existiu: era constituído à partida pelos povoados de Freixiel, Folgares e Vieiro (que ainda conserva hoje em dia, como freguesia de Vila Flor), mas também por Candoso, Pereiros, Codeçais, Mogo (posteriormente chamado Mogo de Malta, para se distinguir do Mogo de Ansiães e por causa de a Ordem do Hospital passar a ser conhecida por Ordem de Malta - nome que ainda hoje toma - por ter fixado a sede nessa ilha no século XVI). Contudo, no princípio do século XIV (1310), efectua-se uma demarcação territorial entre os concelhos de Freixiel e Vila Flor, e Candoso aparece já como pertencendo a Vila Flor, conforme atestado por várias testemunhas de Carvalho de Egas, Valtorno, Vilarinho da Castanheira, Fontelonga, Folgares e Ansiães. De igual modo, o Vieiro chega a estar anexo ao concelho de Vilas Boas, conforme aparece na Corografia Portugueza do P.e CARVALHO DA COSTA, lavrado em 1707. Porém, embora em termo de administração civil Candoso e Vieiro tenham deixado Freixiel, no que concerne à administração religiosa nunca deixaram de pertence à Comenda de Santa Maria Madalena de Freixiel, à qual também pertenciam (para além, como é óbvio, das citadas povoações do concelho: Freixiel, Folgares, Codeçais, Pereiros, Mogo de Malta) Samões, Barcel, Assares (!) e Santo Estêvão, aldeia vizinha da anterior, hoje deserta.

 

 

 Mapa com os limites do concelho de Freixiel à data da sua extinção em 1836. As povoações assinaladas de Candoso e Vieiro pertenciam-lhe também à data da sua fundação, mas foram posteriormente perdidas para Vila Flor e Vilas Boas.

 

 

Mas mais podemos saber sobre o passado do concelho, retirando-se dados das inquirições e memórias paroquiais, proto-censos já bastante avançados, bem como de algumas obras enciclopédicas que estudiosos como o P.e CARVALHO DA COSTA ou PINHO LEAL intentaram fazer sobre todo o território nacional.

 

Daí podemos conhecer algumas informações sobre o concelho, por exemplo, a evolução demográfica de Freixiel ao longo dos tempos. Assim, em 1530, o Numeramento da População, apura em Freixiel 90 moradores, no Mogo 12, nos Folgares 6, 20 em Pereiros e 4 em Codessais, o que perfaz um total de apenas 134 habitantes no concelho inteiro!

 

Já no que toca à supracitada Corografia do início do século XVIII, a contagem demográfica faz-se em vizinhos/fogos, o que quer dizer que se contou os lares que existiam e não os  habitantes em si. Havia pois em Freixiel nesta altura 286 vizinhos (habitações ocupadas), divididos da seguinte forma: 135 em Freixiel, 60 em Pereiros, 33 em Codeçais, 18 nos Folgares (que aparece como Felgares) e 40 no Mogo. Mais se diz nesse compêndio geográfico e etnográfico que Freixiel é "terra muito quente, & enferma, por estar fundada em hum valle rodeado de altos montes: tem o terreno fertil, & assim produz muito paõ, & azeite, moderado vinho, poucos gados, & alguma caça."

 

Das Memórias Paroquiais, realizadas em 1758, retiramos um crescimento reduzido da população do concelho nesses cerca de 50 anos que haviam transcorrido. Passa o município a ter 336 vizinhos (mais uma vez se lembra que se reporta a fogos) repartidos pelas povoações do seguinte modo: 137 em Freixiel (mais 2 em 50 anos), 100 em Pereiros (cresce substancialmente), 19 em Codeçais - grafado como Quadessais - (perde bastante gente), 30 nos Folgares e 50 no Mogo (ambos as crescer um pouco).  Mais se informa que a terra produz pão trigo e centeio em abundância, vinho e azeite e alguma castanha.

 

Ao longo da sua história, Freixiel foi um típico concelho pequeno: detinha juiz próprio, companhia de ordenanças própria e demais cargos característicos de um município. Não era um concelho decisivamente pequeno, sendo que em 1801, no recenseamento ora organizado pelas autoridades eclesiásticas, contam-se 1339 habitantes no concelho de Freixiel. Não obstante, foi um dos concelhos marcados para extinguir em Novembro de 1836 na «reforma» administrativa de Passos Manuel.

 

O fim do concelho chegou pois em 6 de Novembro de 1836, sendo Freixiel e Folgares anexos a Vila Flor, formando aí a actual freguesia de Freixiel junto com a regressada aldeia do Vieiro, que, como já vimos, civilmente tinha passado há bastante tempo para Vilas Boas, mas que religiosamente nunca deixara Freixiel e que agora, findo também o concelho de Vilas Boas, retrocede à casa de partida para. 

 

As restantes povoações (Pereiros, Codeçais e Mogo de Malta), passariam a integrar, como ainda hoje o fazem, o concelho da Carrazeda de Ansiães. Na recente reforma que agregou freguesias (2013), o Mogo de Malta juntou-se a Belver e desse modo, pela primeira vez em oito séculos, os dois Mogos (de Malta e Ansiães) constituem uma unidade geográfica.

 

 

 Pelourinho de Freixiel (em fotografia própria de 2014), símbolo máximo da autonomia local (e não lugar onde se punisse quem quer que fosse, como erradamente se fez veicular sobre os pelourinhos no século XIX). Denote-se as armas picadas no topo, que pertencem ao Marquês de Vila Real, donatário de Freixiel, condenado ao patíbulo em 1641 por ter firmado com o partido Castelhano da Guerra da Restuaração. 

 

 

Publicado por Ilídio Monteiro Alves às 10:10

Regressar ao Topo | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Segunda-feira, 14 de Abril de 2014

Reflexões sobre uma expedição falhada ao Cabeça da Mina

Os leitores recordarão certamente a recente notícia, que também por esta gazeta virtual ecoou, de que o concelho de Vila Flor acabara de ganhar um sítio classificado, mais concretamente o Cabeço da Mina, local de primaz interesse arqueológico por datar da Idade do Bronze, contando por isso com cerca de 4000 anos!

 

Ora, imbuído pela curiosidade e pelo orgulho vilaflorense, decidi aproveitar uma recente deslocação ao nosso concelho para visitar in loco o referido Cabeço da Mina com o fito de poder (ad)mirar na primeira pessoa o património que aí os nossos rupestres antepassados lograram edificar e, logicamente, tirar umas fotografias de modo a poder partilhar o experimento com os leitores.

 

Para esse ensejo, realizei uma busca na internet para me inteirar sobre a exacta localização do citado património calcolítico, coisa que veio a ocorrer (não sem alguma dificuldade) no próprio sítio virtual do IGESPAR, o organismo que vela pelo património classificado. Aí, encontrei um mapa (anexo aqui em baixo) que posiciona o Cabeço da Mina entre as aldeias de Assares e Lodões, mesmo na fronteira com o concelho de Alfândega da Fé, portanto mesmo à beira da ribeira da Vilariça.

 

 

Pois bem, confrontando o referido mapa do IGESPAR com um dos mapas virtuais mais fiáveis, gizei uma rota desde Carvalho de Egas até à EN 102, planeando depois virar à direita algures entre Lodões e Assares (pouco após o nó rodoviário do IP2/IC5), para um caminho de terra batida, conforme sugeriam as indicações recolhidas.

 

Ora o problema ocorreu precisamente neste último passo: onde virar concretamente. Contara eu que um local de importância tão assinalável, património classificado, datando de cerca de 2000 a.C., detivesse uma placa, singela e humilde que fosse, para orientar o visitante curioso rumo ao monumento calcolítico. Nada disso! Ao invés, surgem nessa zona da EN 102 três caminhos de terra batida, mas em nenhum se encontra qualquer indicação, qualquer pista que possa guiar o turista no sentido correcto.

 

Ora, sem saber qual das três vias rudimentares seguir, e não querendo arriscar a sanidade da viatura numa qualquer caça aos gambozinos por caminhos de cabra desconhecidos, optei por voltar para trás e encarar o falhanço da expedição com desânimo. Nem Cabeço, nem Mina, nem coisa nenhuma se visitou…

 

E nessa inglória viagem de regresso à base, ocorreu-me: isto não é caso virgem! Já por mais de uma vez tentei em vão visitar alguns locais de interesse histórico/arqueológico/etnográfico no nosso concelho sem sucesso devido a ausência de placas indicativas que guiem para esse dito local.

 

Mas o raciocínio que este explorador derrotado que vos escreve elaborou nessa fatídica viagem de retorno foi mais longe! Cheguei à temerosa conclusão que, por exemplo, a minha própria aldeia natal (Carvalho de Egas) está desprovida de uma(!) única placa que seja que assinale pelo menos a Igreja Matriz ou a Capela Quinhentista, bem como quaisquer outros pontos de potencial interesse que aqui se encontrem: o carvalho que dá nome à terra, a antiquíssima estalagem (quiçá única no concelho), ou a curiosa formação rochosa dos mal casados, etc. Reitero: nem uma placa! Alguém que por aqui passe (e não esqueçamos que a aldeia é atravessada de lés a lés por uma estrada nacional) fica com a ideia de que passa por um povoado desprovido de património e órfão de história.

 

E essa pesarosa constatação é aplicável a muitas das povoações do concelho, onde os pontos de interesse que o internauta encontra descritos em muitas publicações on-line, se encontram parcial ou totalmente desassinalados no mundo real. Uma notável excepção a esta ‘regra’ é Freixiel, onde os pontos de interesse estão convenientemente indicados por placas (que até contêm uma fotografia do que o visitante irá encontrar). No restante território do município (incluindo a própria sede), de uma maneira geral e salvo algumas excepções, a informação é parca, as placas rareiam e as indicações inexistem.

 

Assim, infelizmente podemos constatar uma coisa: ou o visitante já vem previmente munido com um guia autóctone, alguém que seja da freguesia que pretende visitar, ou então arrisca-se a não encontrar os pedaços de história espalhados pelos vários pontos do concelho que, para além de grandemente abandonados e maltratados, ainda se encontram, de algum modo, escondidos.

Temas:
Publicado por Ilídio Monteiro Alves às 10:10

Regressar ao Topo | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Segunda-feira, 7 de Abril de 2014

CANTIGAS POPULARES DE TRÁS-OS-MONTES XXXI

O ANEL QUE TU ME DESTES

 

O anel que tu me destes

Trago-o no dedo nédinho[1];

Cada bês que tu ma lembras,

Ò anel dôu um beijinho.

 

Luzerna[2] de três luzes

Q’afumas[3] catro[4] cantos;

Nom[5] te quero, ò m’nina

Q’ és combersada[6] de tantos.

 

Amore, p’la tua bida

Munto[7] p’la tua caridade,

Tira-me desta ribeira

Leba-me àquela cidade.

 

Anéles[8] doiro num[9] é prenda

Nãi[10] o de prata lambrança[11];

Anel de cuntinhas pretas

Requere todà[12] cunfiança[13].

 

Trazeis o tchapéu bàixinho

Mandai-o arredundar[14];

Debaixo do tchapéu anda

Òlhinhos de namorar.

 

O setestrelo[15] bai alto

O cajato[16] bai birando;

Menina abra-m’a[17] porta

O sono já me bai dando.

 



[1] Mendinho.

[2] Candeia de azeite.

[3] Que defumas.

[4] Quatro.

[5] Não.

[6] Namorada.

[7] Muito.

[8] Plural irregular de anel.

[9] Não.

[10] Nem.

[11] Lembrança.

[12] Toda a.

[13] Confiança.

[14] Arredondar.

[15] Nome vulgar do grupo de estrelas celestes.

[16] Cajado.

[17] Abre-me a.

Publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 01:00

Regressar ao Topo | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Terça-feira, 1 de Abril de 2014

Exposição “Maria Keil – Itinerários Artísticos”











Temas:
Publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 14:14

Regressar ao Topo | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Sexta-feira, 21 de Março de 2014

Outros Concelhos dentro do Concelho de Vila Flor - n.º 1

Todos conhecemos o concelho de Vila Flor actual, as suas fronteiras e limites, estendendo-se do Tua à Vilariça, da Alagoa a Macedinho. Mas e no passado? Ao longo dos séculos, tem tido sempre estes limites?

 

Não, e tal nem sequer seria espectável, uma vez que raros são os concelhos (se é que existe algum) que tenha tido as suas fronteiras inalteradas ao longos dos tempos, até porque, na realidade, os pouco mais de 300 concelhos que existem hoje, constituem apenas uma parcela do número total de concelhos que existiam noutros tempos.

 

De facto, e sendo Portugal um país de tradição municipalista, tradicionalmente o mapa nacional estava polvilhado de autarquias dos mais variados tamanhos e tipos, havendo um Concelho, Reguengo, Honra ou Couto a cada esquina, principalmente no norte e centro de Portugal, sendo que, por exemplo, no território do actual município de Idanha-a-Nova, estão compreendidos 11 antigos concelhos!

 

Este estado de coisas foi alterado pelos liberais triunfantes em 1833/34, que trataram de efectuar uma reforma administrativa, em  1836, que, para além de suprimir os forais que desde sempre tinham governados as populações, resultou também na supressão de 351 dos 826 concelhos existentes. Até ao fim do século XIX, outras supressões de municípios se seguiram (com algumas reversões, após largos e sangrentos protestos por parte da população, como foi  caso do vizinho concelho de Alfândega da Fé) e o número de concelhos fixou-se em 291 em 1911, cifra que nos cem anos seguintes aumentou para os 308 actuais.

 

Esta reforma, pode parecer algo de menor importância, ou até algo de necessidade evidente, pois muitos dos 826 concelhos existentes na aurora do século XIX, não passavam de minúsculos vilarejos com poucas centenas de habitantes e por se poder considerar os forais como um instituto ultrapassado (nalgumas partes de Espanha ainda estão em vigor nos dias de hoje...), mas foi algo profundamente traumático para as populações locais, que viram desaparecer num ápice todos os sinais de poder local (câmara, juiz, companhia de ordenanças, etc), que eram a base da incipiente vida mercantil da zona, o que se traduziu, inevitavelmente, num processo de acentuado declínio económico e social dessas vilas e consequentemente, das suas gentes.

 

Nalguns casos, como no infame caso de Monforte do Rio Livre, no actual concelho de Chaves, onde, sendo extinto o concelho em meados da centúria de 1800, não foram precisas mais do que 4 ou 5 décadas, para que a antiga sede de concelho se encontrasse completamente abandonada.

 

Porém, prossigamos ruma à questão que aqui nos trás: e como era o panorama no actual território de Vila Flor há dois séculos, antes do inícios das supressões de concelhos em massa que o regime liberal levou a cabo? Como se pode ver nos mapas anexos, no território actual do município de Vila Flor, existiam antes das sucessivas reformas liberais, cinco autarquias: Vila Flor, Freixiel, Sampaio, Vilarinho da Castanheira e Vilas Boas. E como se pode observar do mapas, nos casos de Vilas Boas e Sampaio ocorreu uma absorção total dessas municipalidades, ao passo que no que toca a Freixiel e a Vilarinho da Castanheira, Vila Flor anexou apenas parte desses antigos municípios: em Freixiel a absorção foi quase integral; já do Vilarinho, apenas se anexou a metade norte, que constitui hodiernamente a ponta sul do concelho de Vila Flor. 

 

 

O actual mapa do concelho de Vila Flor, como o conhecemos hoje em dia.

 

 

 Mapa com o antigos concelhos que existiam no território de Vila Flor, na alvorada do Século XIX

 

 

Nota: nas próximas semanas iremos escrevinhar algumas notas sobre cada um desses antigos concelhos, desde o seu nascimento até à sua morte e integração em Vila Flor.

Temas:
Publicado por Ilídio Monteiro Alves às 10:10

Regressar ao Topo | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Sábado, 8 de Março de 2014

Resumo da entrevista do Presidente da Câmara de Vila Flor ao Mensageiro de Bragança

 

O semanário brigantino "Mensageiro de Bragança" conduziu uma entrevista a Fernando Barros, presidente da Câmara Municipal do nosso  concelho, onde o edil faz o balanço dos primeiros meses à frente dos destinos  da autarquia vilaflorense, bem como discutes alguns dos temas do futuro da autarquia.

 

Efectuamos um resumo da entrevista, sem quaisquer fitos 'politiqueiros' e muito menos partidários (campos onde este blogue nunca se intrometeu), mas antes por se considerar relevante uma entrevista que o autarca número um do município dá a um dos órgãos de comunicação mais importantes do distrito, e que poderá ter passado despercebido a alguns vilaflorenses.

 

O primeiro tema que o autarca abordou, foi a questão das águas, cujos tarifários podem vir a subir, por ordem da administração central. Fernando Barros assume a sua oposição à medida que "prevê que o utilizador pague o custo do serviço que lhe é oferecido", o que poderá significar "para Vila Flor, de acordo com as expectativas do organismo regulador, ao abrigo de toda a estrutura legislativa que está aprovada, teremos aumentos, num horizonte de cinco anos, de 429 por cento", pelo que, remata, "numa  altura de crise [...], não há forma de justificar isto". Defende que as "tarifas devem ser competência dos municípios e não de um organismo regulador que se vai sobrepor a eles" uma vez que os municípios têm autonomia e propôe antes um um "aumento muito gradual das tarifas" já que "numa altura de crise, ter de impor às pessoas aumentos quatro vezes superiores, quando me batem à porta a pedir emprego e outras coisas, não se justifica". Ainda assim confidencia que ainda alimenta  a esperança que a medida não avance.

 

Revela-se ainda crítico da chamada Lei dos Compromissos, que, relembre-se, veda aos município a capacidade de contrair nova dívida sem acordo do Estado-Central, por tratar, como considera, por igual todas os concelhos, sem distinguir entre "cumpridores e os que têm dívidas elevadas", recordando que o município Vila Florense não recorre a empréstimos há vários anos e que tem apenas "uma dívida a longo prazo de cerca de três milhões de euros", tendo ainda "dinheiro em tesouraria suficiente para pagar os fornecedores". Assim,  denota que "nós, que mostrámos durante 20 anos que sabíamos gerir, gastar só o que temos, somos obrigados a cumprir uma lei que é um garrote a uma gestão muito equilibrada", pois "obriga-nos a cumprir determinados procedimentos que não facilitam em nada a gestão da administração", "sobretudo para Câmaras pequenas".

 

Para o futuro, projecta essencialmente a requalificação da Praça da República, o "coração de Vila Flor". Nas palavras do autarca: "É um projeto que já temos em carteira há uns tempos e que não conseguimos candidatar neste quadro comunitário mas que gostaria de ver executado". Pensa ainda em proceder à requalificação do Museu Municipal, tanto no edifício em si, como no conteúdo que  !precisa de ser informatizado, catalogado, porque se pode perder".

 

Traça ainda um elogio à Santa Casa da Misericórdia Local, "a maior empregadora do concelho": "Tem seis lares, vários centros de dia e uma cobertura a cem por cento do concelho. É uma instituição que tem 210 funcionários, uma Unidade de Cuidados Continuados, farmácia, uma quinta, uma padaria, enfim, é uma instituição grande" que ajuda a dar resposta aos problemas sociais do concelho, nomeadamente dando "resposta às necessidades dos mais idosos".

 

Realça ainda a política de "não sobrecarregar as pessoas" que o executiva tenta seguir, nomeadamente no que toca as taxas e tarifas, lembrando que "somos um dos cinco municípios que não cobram nada pela recolha de resíduos [...]. Ficamos com dois por cento do IRS e damos três aos munícipes. O IMI é o mais baixo que a lei permite", tudo para que a crise não signifique que o "município saia incólume mas [com] as pessoas [a] ficarem cada vez mais prejudicadas, mais enterradas." E, mesmo reconhecendo as dificuldades financeiras dos tempos presentes, não pretende mudar de linha: "Tem de ser. Se a lei me permitir é assim que irei trabalhar".

 

Intui ainda que deve ser apenas a união dos Municípios da região pode contribuir para o desenvolvimento: "temos de criar infraestruturas de desenvolvimento no concelho, de promover o desenvolvimento, mas não de uma forma isolada", pois "sentimos que cada vez mais o processo individual acabou." Nesse âmbito, demonstra-se tenaz opositor dos sucessivos encerramentos de serviços que assolam a região: "Não posso ser a favor do fecho dos tribunais. O tribunal de Vila Flor nunca esteve em causa fechar mas tenho de ser solidário com os outros. E sou. Estou a ser solidário com a região e com os meus vizinhos. Não posso concordar com o fecho dos tribunais porque todos nós temos o direito – pois não temos descontos nos impostos – e temos o direito de sermos servidos como qualquer outro cidadão."

 

Prossegue, criticando os fechos de serviços alertando que podem vir a ser extensíveis "às Finanças, à Segurança Social" entre outros. Opina até que "fica bem a toda a gente dizer que devíamos reivindicar uma discriminação positiva", pois argumenta "se vivemos numa zona mais desertificada, com mais problemas, então devíamos, até, ser mais beneficiados e não sofrer as consequências de quem está no Poder Central e decide numa folha de Excel". Conclui em resumo que o "processo de encerramentos é um contra-ciclo" que "leva o país à ruína porque isso não é planear". Eu sua opinião "devíamos era incentivar os investidores para que viessem cá investir". Nesse sentido considera que as obras nas vias comunicacionais (IP2, IC5 e A4), são positivas, pois "os restaurantes e a própria hotelaria dizem que hoje há mais facilidade em chegar cá. Mas também há mais facilidade em sair", pelo que as novas estradas também "vieram beneficiar muito o escoamento das águas Frize, dos cogumelos da Sousacamp" algumas das indústrias mais proeminentes do concelho. Ainda assim, alerta que as melhorias "não se registam de um momento para o outro, demoram algum tempo". 

 

Noutros campos, congratula-se com o desenvolvimento que  o desporto tem vinda a registar no município. Ao mesmo tempo que dá ênfase à performance recente do Vila Flor SC, revela que "o mais animador é a prática desportiva das crianças, dos jovens, dos idosos, dos mais velhos. E para esses as infraestruturas do município estão sempre à disposição", relembrando que "temos um estádio municipal com uma relva artificial com a avaliação FIFA duas estrelas, excelente. Temos uma pista de tartan, o estádio está disponibilizado gratuitamente para todas as associações do concelho e até grupos que se juntem. Temos um pavilhão excelente, requalificado, uma piscina coberta das melhores e aberta, gratuitamente. Temos vários polidesportivos e campos de terra batida".

 

 

 

 

 

 

 

A entrevista completa pode ser consultada em: http://www.mdb.pt/noticia/deviamos-ser-mais-beneficiados-por-vivermos-numa-zona-desertificada-2343.

Temas:
Publicado por Ilídio Monteiro Alves às 10:10

Regressar ao Topo | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Sábado, 1 de Março de 2014

FERNÃO VAZ DE SÃO PAYO

Um Grande Fidalgo de Vila Flor

 

Por: Jofre de Lima Monteiro Alves

 

    Fernão Vaz de São Payo ou Fernão Vasques de São Payo, nasceu cerca de 1380, filho primogénito e co-herdeiro de Vasco Pires de São Payo[1] e de sua mulher, cujo nome se ignora.

 

ÁRVORE DE COSTADOS DE FERNÃO VAZ DE SÃO PAYO

Próprio

Pais

Avós

Fernão Vaz de São Payo

 

N. 1380

F. 1449

Vasco Pires de São Payo

N. 1340

Pedro Anes do Souto

N. 1300

D. Francisca Pais de São Payo

N. 1320

 

 

 

 

    Foi moço fidalgo da Casa Real[2]; carta de autorização para Vasco Pires de São Payo dividir a sua grande casa pelos dois filhos mais velhos, Fernão Vaz de São Payo e Lopo Vaz de São Payo, por mercê do Rei Dom João I (31 de Agosto de 1398); mercê do direito de pousada nas suas quintãs, coutos e honras, situadas em Panóias, termo de Vila Real, e em Além dos Montes, por carta de Dom João I (27 de Fevereiro de 1400); proprietário; 5.º Senhor da Honra de São Paio, por herança paterna (1403); 2.º Senhor de Vila Flor, como herdeiro de seu pai (1403); Senhor de Torre de Moncorvo, por herança paterna (1403); Senhor de Mós, como herdeiro de seu pai (1403); Senhor de Vilas Boas e seu termo, por herança paterna (1403); Senhor de Parada de Pinhão, como herdeiro de seu pai (1403); Senhor de Frechas, por herança paterna (1403); 2.º fronteiro da vila de Torre de Moncorvo, de Vila Flor e da vila de Ansiães (1403); 2.º coudel das coudelarias de Anciães, Vila Flor, Torre de Moncorvo, Lamas, Mós, Vilarinho da Castanheira, Vilas Boas e de outros lugares (1403); chefe da linhagem e da família São Payo (1403 – 1449); vassalo d’El-Rei (1409); mercê a Fernão Vasques de São Payo, vassalo real, da confirmação duma carta que el-rei dera a seu pai Vasco Pires e pela qual as aldeias de Sampaio e Cardenha, termo de Vila Flor, eram suas e por isso não pagavam peitas, fintas e talhas ao concelho de Vila Flor por decisão deste, conforme se mostrou por um público instrumento feito por Vasco Esteves, tabelião da vila, por isso el-rei mandara que Sampaio houvesse por termo Cardenha e Vilarelhos, por carta régia de Dom João I dada em Santarém (19 de Abril de 1410)[3]; carta régia de confirmação a Fernão Vaz de todos os foros, rendas, direitos, pertenças e portagens das vilas de Vila Flor e Vilas Boas e seu termo, e de metade da aldeia da Quintela de Lampaças, que seu pai Vasco Pires lhe cedera «por quanto era filho mor do dito Vasco periz, sem dar dellas partilhas a seus Jrmaãos» (1 de Março de 1413); cavaleiro fidalgo da Casa d’El-Rei Dom João I, com a moradia de 8.900 libras (1414)[4]; carta de Dom João I para o abade Martim Aires se defender perante o Juiz dos Feitos da acusação feita por João Álvares, Fernão Vasques da Cunha e Fernão Vasques de São Payo de que teria adquirido bens reguengos para a erecção dum capela que instituíra na igreja de Santo Tirso (26 de Agosto de 1427)[5]; carta régia de confirmação da doação que lhe fez seu pai, dos foros, rendas, direitos, pertenças e portagens da vila de Moncorvo e seu termo, dada no Porto pelo rei Dom João I (28 de Julho de 1433)[6]; carta régia da confirmação de cinco cartas de Dom João I da doação de juro e herdade de todas os direitos, rendas, foros e portagens das vilas de Anciães, Vilarinho da Castanheira, Vila Flor, Torre de Moncorvo e Mós e seus termos, outra da metade da aldeia de Quintela de Lampaças, também de todos os foros, rendas, direitos, pertenças e portagens da vila de Moncorvo e seu termo, assim como todos os foros, rendas, direitos, pertenças e portagens da vila de Mós e seu termo e ainda de todos os foros, rendas, direitos, pertenças e portagens das vilas de Vila Flor e Vilas Boas com todo seu termo, e de metade da aldeia da Quintela de Lampaças, tudo confirmado pelo Rei Dom Duarte a Fernão Vasques de São Payo como filho de Vasco Pires de São Payo (26 de Maio de 1434)[7]; carta régia de confirmação da doação que lhe fez seu pai da vila de Mós e seu termo, dada por Dom Duarte em Évora (10 de Maio de 1435); mercê da doação das honras de S. Cibrão e Lamares, no termo de Vila Real, a Fernão Vasques de São Payo, «vassalo do rei», por carta d’El-Rei Dom Duarte (14 de Março de 1437)[8]; uma carta de confirmação da doação para sempre de 48 alqueires de pão que tinha na honra de S. Cibrão e 36 alqueires que tinha na honra de Lamares, ambas na terra de Vila Real (24 de Março de 1437); Dom Afonso V confirma a nomeação de Gonçalo Eanes, criado de Fernão Vasques de São Payo, no cargo de juiz dos feitos das sisas da Torre de Moncorvo e seu termo (9 de Setembro de 1439)[9]; fidalgo da Casa Real (1439); carta régia de confirmação da doação que lhe fez seu pai do senhorio das vilas de Vila Flor e Vilas Boas e de metade de Quintela de Lampaças e dos direitos que pertenciam a seu pai, «por ser filho maior do dito Vasco Pires, sem dar dellas partilhas a seus irmãos», dada em Santarém por El-Rei Dom Afonso V (1 de Março de 1441)[10]; escudeiro da Casa do Regente (1443); carta régia de Dom Afonso V de confirmação da doação de Vila Flor e seu termo, com a sua jurisdição, a Fernão Vasques de São Payo e da mesma forma que a tinha seu pai Vasco Pires (11 de Janeiro de 1444); carta régia de Dom Afonso V de mercê a Fernão Vasques de São Payo da doação «para sempre» da Terra e Julgado do Chacim, terra de Vale de Sancha e Quintela de Lampaças, bem como os bens móveis e de raiz que tinham pertencido a João Nunes de Aguilar e de Pedro Nunes, que os perderam por terem ido para Castela (11 de Março de 1444); mercê das terças das igrejas de Mós e Urros; 1.º Senhor da Bemposta, na sua família.

 

    Faleceu em 1449[11] e foi sepultado sob o segundo arco da nave esquerda da Igreja de Santa Maria dos Olivais, em Tomar, em sepultura com lápide sepulcral armoriada, com a seguinte inscrição: “Aqui jaz Fernã de Sãpaio, Cavalleiro fidalgo, criado delrei dom Afonso, e sua filha Mª de Sãpaio”[12].

 

    Casou pela primeira vez, em 1417, com D. Senhorinha Pereira[13], filha de D. Henrique Pereira, comendador de Poiares; com geração.

 

    Casou em segundas núpcias, em 1445, com D. Joana de Sousa e Alvim[14], nascida em 1425, filha de Pedro de Sousa, alcaide-mor de Bragança, e de D. Margarida de Alvim; sem geração.

 

    Filhos do primeiro casamento:

1 – D. GENEBRA PEREIRA, nasceu em 1419.

Casou em 1439 com Aires Ferreira, nascido em 1399, Senhor do Morgadio do Casal de Cavaleiros e vedor das obras reais de Entre-Douro-e-Minho[15].

2 – VASCO FERNANDES DE SÃO PAYO, nasceu em 1420.

6.º Senhor de São Paio e 3.º Senhor de Vila Flor; casado e com geração.

3 – LUÍS VAZ DE SÃO PAYO, nasceu em 1422.

Cavaleiro fidalgo da Casa Real com 1700 réis de moradia (1462)[16]; casado e com geração.

4 – D. MARIA DE SÃO PAYO, nasceu em 1424.

Sepultada conjuntamente com seu pai na Igreja de Santa Maria dos Olivais, em Tomar, em sepultura com lápide sepulcral armoriada.

    Filho bastardo de Fernão Vaz de São Payo, havido de Leonor Afonso, mulher solteira:

5 – LOPO VAZ DE SÃO PAYO, nasceu em 1430.

Foi legitimado por Dom Afonso V (1453).

 


[1] Manuel Felgueiras Gayo, Nobiliário de Famílias de Portugal, IX volume, tomo XXVI, Braga, 1990, p. 262; Jofre de Lima Monteiro Alves, Vasco Pires de São Payo: Um Grande Fidalgo de Vila Flor, 2013.

[2] Francisco Manuel Alves, Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança: Os Fidalgos, tomo VI, Bragança, 1981, p. 432.

[3] ANTT, Chancelaria de Dom Manuel I, livro 28, fl. 104v.

[4] Comissão Executiva das Comemorações do V Centenário da Morte do Infante D. Henrique, Monumenta Henricina (1431-1434), volume IV, Coimbra, 1962, p. 233.

[5] Arquivo Distrital do Porto, Convento de Santo Tirso, PT/ADPRT/MON/CVSTST/0201, fl. 289.

[6] Francisco Manuel Alves, Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança, tomo IV, Bragança, 1981, p. 231.

[7] ANTT, Chancelaria de Dom Duarte, livro 1, fl. 98.

[8] ANTT, Chancelaria de Dom Duarte, liv. 1, fl. 141.

[9] ANTT, Chancelaria de Dom Afonso V, livro 19, fl. 41.

[10] ANTT, Chancelaria de Dom Manuel I, livro 28, fl. 14v.

[11] Luiz de Mello Vaz de São Payo, As Distracções de D. António Caetano de Sousa, Lisboa, 1979, p. 13.

[12] Luciano Cordeiro, Vésperas do Centenário da Índia: Inscripções Portuguezas, Lisboa, 1895, p. 22.

[13] Corografia Portuguesa, tomo I, cap. 22, fl. 470.

[14] D. Joana de Sousa e Alvim casou em segundas núpcias, em 1451, com Fernão de Sousa Camelo, senhor da jurisdição de Roças (1453) e fidalgo da Casa Real (1462), de quem foi segunda mulher.

[15] Manuel Abranches de Soveral, Ensaio Sobre a Origem dos Ferreira: Os Ferreira de Aguiar de Sousa e sua Descendência até ao Século XV.

[16] Manuel Felgueiras Gayo, Nobiliário de Famílias de Portugal, volume VIII, tomo XXII, pp. 199 e 200; D. António Caetano de Sousa, Provas da História Genealógica da Casa Real Portuguesa, tomo II, I parte, p. 31.

Publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 01:01

Regressar ao Topo | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Sábado, 15 de Fevereiro de 2014

Cabeço da Mina, em Vila Flor, é Sítio Classificado

O Cabeço da Mina, no concelho de Vila Flor, distrito de Bragança, acaba de ser classificado Sítio de Interesse Público, num processo com quase duas décadas para reconhecimento do lugar considerado dos mais importantes achados da pré-história portuguesa.

 

A decisão do secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, foi hoje publicada em Dário da República, e realça a importância deste sítio arqueológico que se julga tratar-se de um santuário pré-histórico, datável do Calcolítico, da Idade inicial do Bronze, entre 2000 a 1800 antes de Cristo.

 

O Cabeço da Mina situa-se numa pequena elevação no vale da Ribeira da Vilariça e há várias décadas que tem despertado o interesse dos arqueólogos, tendo-se iniciado em 1997 o processo de pedido de classificação do mesmo.

 

O fértil Vale da Vilariça, em Trás-os-Montes, é conhecido pela "notável aptidão agrícola propícia ao estabelecimento de populações, desde a época pré-histórica", segundo a descrição que sustenta a classificação deste sítio.

 

O Cabeço da Mina será um vestígio desta antiga ocupação e os trabalhos arqueológicos que ali têm sido realizados "deram a conhecer um importante alinhamento de estelas decoradas, tendencialmente retangulares, que deveriam circundar todo o cabeço ainda não explorado na totalidade".

 

A decisão de classificação sustenta que "a importância deste sítio, interpretado como espaço de caráter sagrado, se relaciona não só com o tipo de implantação e potencial arqueológico que ainda possui, como com a quantidade relevante destes exemplares, o mais numeroso conjunto proveniente de uma só estação, e um dos mais importantes da Península Ibérica".

 

A secretário de Estado concluiu que o Cabeço da Mina reúne todos os critérios para ser classificado Sítio de Interesse Público pelo "interesse do bem como testemunho simbólico ou religioso, a sua importância do ponto de vista da investigação histórica e científica e pelas circunstâncias suscetíveis de acarretarem diminuição ou perda da sua perenidade ou integridade".

 

Também hoje foi publicado em Diário da República a abertura do processo para a classificação de outro monumento no distrito de Bragança, a Torre do Relógio em Alfândega da Fé.

 

O procedimento visa a classificação como Imóvel de Interesse Municipal com a categoria de monumento, e parte da iniciativa da Câmara de Alfândega da Fé.

 

A partir deste momento, o imóvel beneficia de uma zona de proteção especial que impede a concessão de licenças para obras de construção ou para intervenções no bem sem parecer favorável da administração do património cultural competente.

 

Quem tiver algo a opor a este processo de classificação da Torre do Relógio de Alfândega da Fé pode reclamar ou interpor recurso no prazo de 15 dias, a partir de hoje.

 

 

 

 

 

 

Notícia  e imagem retiradas de PortoCanal.sapo.pt. Todos os direitos reservados à referida entidade.

Publicado por Ilídio Monteiro Alves às 10:10

Regressar ao Topo | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Sábado, 8 de Fevereiro de 2014

Programa de Prevenção do "Bullying"

O bullying pode ser definido como a prática sistemática de actos agressivos, com vista a inflingir em outrem violência psicológica ou física, particularmente incidente em ambiente escolar. É um termo anglófono que serve para designar as seculares práticas dos brutamontes do recreio, que perseguem, batem ou insultam uma determinada vítima repetidamente, normalmente, alguém indefeso.

 

Este fenómeno está cada vez mais mediatizado, começando os casos de "bullying" a ter, portanto, maior importência no seio das comunidades escolares, sendo uma das questões que mais vai preocupando, nos nossos dias, pais, professores e alunos.

 

Pois bem, Vila Flor passou para a linha da frente no combate as estas práticas vexatórias nos recreios das nossas escolas e tomou as rédeas ao assunto, organizando  uma série de acções de prevenção que têm decorrido em vários estebelicimentos escolares do concelho desde a última semana de Janeiro e que se prolongará até meados de Fevereiro.

 

As acções de formação e sensibilização ficam a cargo do Gabinete de Psicologia do município e visam, antes demais, sensibilizar todos os membors da comunidade educativa para a existêcnia do problema, para os efeitos nefastos que tais actos podem causar nas vítimas, suas famílias e comunidades e acima de tudo previnir ou detectar potencias casos de "bullying".

 

É uma iniciativa que junta a Câmara Municipal, a Santa Casa da Mesiricórdia e o Centro de Saúde local e que se insere no âmbito da Unidade Móvel de Saúde, projecto que procura trazer os temas da saúde ao seio das populações.

 

 

 

 

Fontes: Rádio Renascença, CM de Vila Flor e PortoCanal.

 

 

 

 

Temas:
Publicado por Ilídio Monteiro Alves às 10:10

Regressar ao Topo | Comentar | Ver comentários (1) | Adicionar aos favoritos
|

.Correio Electrónico

Contacto via jofrealves@sapo.pt

.Os Meus Blogues

.Dezembro 2014

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

.Artigos Recentes

. Nótulas demográficas d'Al...

. A Sabedoria Popular Sobre...

. Dérbi em Vila Flor

. Modos de Linguarejar de V...

. Nótulas demográficas d'Al...

. CANTIGAS POPULARES DE TRÁ...

. AMADIS VASQUES DE SÃO PAY...

. D. EGAS MONIZ DE RIBADOUR...

. D. EGAS MONIZ DE RIBADOUR...

. D. EGAS MONIZ DE RIBADOUR...

.Arquivos

. Dezembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Janeiro 2006

. Dezembro 2005

. Novembro 2005

. Outubro 2005

. Setembro 2005

. Agosto 2005

. Julho 2005

.Temas

. todas as tags

.Ligações

.subscrever feeds

blogs SAPO